31/01/2012
(A)BRILHOS
02/01/2012
O CONTEXTO DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL
24/12/2011
HEMORRAGIA ESTRUTURAL
13/10/2011
ESCARPA DO DESGOSTO
11/07/2011
O Quê do Quê?
…ias a passar, como quem caminha pedras incandescentes, sobre os contornos do mundo, um foi se numa mão, na outra o devir, as orelhas tapadas auricularmente escutam de novo e mais uma vez a tua preferida, dolorosa e profunda canção.
…dois olhos oblíquos observam te, amarelam planos e ajudas, nas negritudes do ouro negro. Outro, Um outro, melhor dizendo, saiu mas voltou, na boca, o “meu irmão” e “se Deus quiser”, nos bolsos telenovelas.
…uns outros voltam, não por amor à terra, mas porque “lá” as coisas estão más.
…o velho Soba, sentado na kubata ancestral desfia nos rugosos dedos promessas de liberdade, milho seco na lavra da sobrevivência, no voto vai de motorizada, os pensamentos destelhados, corres para fugir dos sentimentos que te assombram.
…chovem cinzas do céu que cobre o capim…
19/05/2011
Património em perigo.Dia Mundial dos Museus –18-05-2011
Munípio do Sumbe.Saber Andar é um aglomerado habitacional a poucos kms da cidade do Sumbe. Nele podem-se encontrar alguns artefactos de alto valor patrimonial abandonados pelo chão.
Duas respostas encontradas com a matéria prima extraída do local. Curral de cabras e uma poedeira área para galinhas.
15/05/2011
RESSUSCITOU NO SUMBE
A transformação levou-o a um novo sítio, no qual ele nunca estivera antes.
DOMINGO NO SUMBE.
O percurso feito "à pata" -meio mais natural de locomoção- com cerca de 2.000 metros.
16/08/2009
Queimada
Nesta hora sem futuro
Ruge a queimada lá fora.
Aqui na cama desfeita
Na cabeça reclinada
Num receio igual ao teu,
Treme a minha mão suada
Pelo que não aconteceu…
Nesta terra em cinzas feita
Passa o fogo e fica tudo escuro.”
Neves e Sousa
08/08/2009
A [Mina] Amada
é de carne
carnívoro
devoro-a
mas
também vegetal
mordiscando lhe
o talo verde
escorre dela
seiva
fotosíntese
nas pontas dos dedos
narinas dilatadas
respiro a
perfeita.
A [Mina] amada
é uma colheita
alimento
mastigo
os frutos
verdes
maduros
saliva
sumarenta
arrepio de boca
suculento.
24/07/2009
OS SÍMBOLOS
Uma medalha de plástico, recebera como espólio – caminhante humano - podiam ser vales de refeições, mas não, a categoria que figurava no seu cartão de identidade não lhe conferia direito de utilização, e sob o nevoeiro citadino diluía se ( uivos em sangue), gravado de pranto o grito estilhaçou se nele.
Já era um desequilíbrio psíquico, querer fixar a imagem num plano concreto; os símbolos usam máscaras, o ontem e o amanhã que vivemos na paisagem presente, um fio de dias em colar sufocante.
Quando lhes falei da imaginação da matéria, com pinças pontiagudas esterilizaram logo a imaginação. O mundo sem imago não é alcançável.
Um outro ser está na outra margem, em milhas de lonjura. È aquele que a tarde arrebatou, o guerreiro que não cessou de falar da terra prometida, foi ardendo sagrado sem descanso.
Na ilha longínqua os humanos eram feios e obesos, mas nada disso se via, cada um somente revia a sua imagem, e nunca aceitaram que a linguagem é vitalmente metafórica e que o inconsciente é mais poético.
A linguagem e a razão discursiva vieram depois do símbolo, altere se então o dado bíblico: ” no princípio era o [verbo] símbolo”.
“Levanta te, ó Senhor da floresta, ao cima da terra!” assim evocava o Rig Veda III,8, 3.
Ainda é e está viva a imagem arcaica da Montanha Cósmica, a Àrvore do Mundo e o Pilar Central, embora quase ninguém as queira ver.
O Umbigo da Terra terá se deslocado, algum milímetro cósmico, e seria ali o centro da comunicação entre a Terra, O Céu e o Inferno?
17/07/2009
POETAS
Temos de confiar nos nossos cientistas para nos ajudarem a descobrir o caminho mais curto, mas
Um poeta é afinal, uma espécie de cientista, mas empenhado numa ciência qualitativa em que
Nos seus versos, ele pode juntar meticulosamente peças do universo, em configurações
11/07/2009
HUBRIS
Criaremos um Eu verdadeiramente órfão que escolherá sem piedade o que lhe for inadequado, pela violência contra a singularidade e então sim, dizem a Biologia e Astrofísica, haverá pouco mais de substancial.
Na verdade os Híbridos vencem, o ADN recombinante mostra garras e dentes, e a Hubris pavoneia se incansável.
A Etimologia, que também é uma ciência, vem sofrendo nas últimas décadas ataques levianos e puramente caprichosos de muitos académicos irresponsáveis.
A palavra – híbrido - é relativamente moderna, mas imediatamente por detrás dela, a nu, está a palavra latina Hybrida, que era nome de filho indesejável do cruzamento dum javali com uma porca doméstica.
Recuemos então às origens mais remotas: antes de ser Hybrida, era Hubris, uma palavra do grego antigo, que significava, arrogância, insolência, contra os Deuses; Hubris tem duas raízes Indo – Europeias, Ud , que significava “ para cima” ou “para fora”, e Gwer, “violência” e “força”. Afronta era o seu sentido geral.
Hubris adquire nacionalidade inglesa no final do século XIX, passando imediatamente a calão, e descrevia uma pessoa que usando deliberadamente uma elevada capacidade, se metia em sarilhos.
Aos produtos dos Botânicos e Zóologos, juntam se as combinações entre os ácidos nucleicos de células de mamíferos e de bactérias a serem produzidas em sistema fabricial, o verdadeiro estado de demência.
Hubris é palavra poderosa e transporta em si ( até aos nossos dias) o peso da desaprovação.
E aquela mentalidade que concebeu a fusão e cisão do átomo, primeiro para destruir “ a cidade” e depois para aquecê la, a que constroi os aditivos alimentares é também a fabricante das minúsculas particulas de plástico, a mesma que leva o ser humano a fabricar um híbrido de si próprio.
Convém não nos distrairmos fatalmente desta Hubris, e ficarmos embevecidamente orgulhosos só com os olhos postos nos plasmas do telemóvel, televisão ou computador.
BRRRRR... o frio nesta humanidade, é de rachar.
04/07/2009
Escada Coxa
Escada coxa
[ manca].
Humanos degraus
passos
a cima
´para baixo
tontura...
falta o corrimão
sem apoio
no inesperado
estatelo me...
Patamar.
vinha descendo...
subindo?
27/06/2009
TIRANIA DOS VALORES
Dúvidas firmes, incertezas absolutas, sou um Durão, olho só em frente que de frequente, me torno ausente não de mim, mas dos outros. Minha aprendizagem foi assim: carente de toque. Mais tarde busquei, ainda, Escola de Carência, não encontrei. Não constava dos Curriculares, nem nos Académicos.
A máquina ganhou forma em mim, a mecanicidade de controlar o todo com a mínima parte ( Eu ). Tudo o que sou, devo o à máquina, tal como esta indiferença pela morte da carne humana, a Estatística – a nova certa ciência- os Números, a minha nova religião.
Tenho poderosa arma e esgrimo a na ponta do olho mecânico: a regularidade linear das páginas de Normas na uniformidade visual da letra impressa, induzo, induzindo realizo me deus, nos pesos e medidas.
Ser circunferência em toda a parte, princípio e fim no mesmo lugar, o centro em parte alguma, no oco sem fim, tipo tirania desumanizadora, produzo mensagens vazadas em símbolos fonéticos, seriados, a fonte humana individual , renego a , prefiro a capacidade técnica e não a consciência da maneira como adquirimos conhecimento, aliás o grande inimigo a abater.
Acumular “sem preconceitos” os factos brutos, está inscrito nos panteões e bandeiras da minha matriz governativa.
19/06/2009
Rotina retórico-ideológica
Aquiles será compatível com a pólvora e os neutrões?
No entanto a poesia , dá a sensação de franquear impetuosamente a temporalidade, conquistar o signo verbal.
Se me destruo é porque não há lugar para mim. E eis que choro como uma criança, tão cheio de vida é este mal.
Máquina paradoxo, grávida do próprio ressoo, do duplo espaço branco.
Vazar os muros cronológicos, do estático e homogéneo, a intenção sublime de confrontar o ópio alienado dos ileteratos, ser se uma alma no mundo.

Pergunta mansa e expectante:
Se aprendo silabando o ler e interpretar, os meus olhos ficarão apartados da plenitude imediata de ver?
O inferno é a visão de uma viagem, tesouro de artifícios, na realidade, a cisterna retém, a nascente transborda.
Não se morre de dor: esse o vil castigo.
Somos vasos de carne e osso e o poema dá nos um Narciso que se nega a si mesmo, na realidade os ácidos corroem os vasos que os contêm. Porque não? Já se colhem flores no Inverno.
No tempo do “tempo de antes” não havia tempo, refugiado em coisas que não sou, apavora me de vir a ser, assim como um sonho hermético que nunca acorda, na realidade foram dois burgueses que falaram de comunismo.
Este esforço de transpor para o som da voz o som das coisas será o tal mítico cantar da sereia?
Concentro me no campo semântico que na sua estratégia de ir e vir é sempre mais lento e sinuoso que a percepção visual.
Uma esperança de nos escutarmos poetando todas as fases, fenda radical de onde brota o sujeito, está a dor!
A metáfora é só experiência calada?
E o texto narrativo , só lembranças e sonhos?
Se calhar, tão somente a necessidade de amarrar nos fios do alegórico, o nó existencial recorrente, nos insolúveis caminhos, na realidade, o cânon literário é o passado a reger o presente; chegados aqui podemos verter algumas lágrimas nostálgicas.
A Razão assumindo as milenares funções da religião e arte… huuumm… não acredito.
Proliferam os signos em toda a parte e tempo, mas cadê? a jornada inesquecível da experiência, geradora de significados.
05/06/2009
Multiplos Orgasmofiscais
...o acordar já é uma aurora deslumbrante, pois que o pensamento já sabe da ida à Repartição de Finanças. No caminho para lá, chilreio e aos saltinhos felizes e esvoaçantes, o meu coração anseia pelo excelso encontro.
...depois no contacto visual e sensitivo dos barulhinhos electrónicos numerados, melodiosos, chamam por nós; ao décimo terceiro "tlim dlom" ocorrem os almejados orgásticos fiscalizados prazeres.
Tenho como ideal aumentar as minhas vindas a este paraíso fiscal, este sim o verdadeiro e palpável.
31/05/2009
SILÊNCIO FRONTEIRA
O filho é pai do homem, ao lado da mãe-natureza que doa e tira a vida, preservando a espécie.
Quando se produz uma coexistência, a minha escrita, a escrever fragmentos do kotidiano alheio, é rara, minha intenção não mora aí, ou mesmo não coexiste, é isso.
A experimentação das falsificações leva ao suposto caminho da inventividade!
Que fará uma mãe perante o desabrochar perverso de um filho? Muito cérebro e pouco coração, ou buscará inversos?
Então vou aceitar que existem ideias fora do lugar, esta por exemplo, vendo o bondoso homem padecer de um avassalador cancro no corpo, penso que entre um século que morre e outro que nasce há relatividades várias, mas por outro lado o eclipse do sol seja por segundos ou séculos, não tem as cores definidas/visíveis.
O amor das aparências rutilantes. O que é que o temor teme? O ameaçador não se encontra em lugar algum é um nada meramente negativo, a "causa " e a "coisa" do pensamento.
Chame se então o Bom Senso, não se preocupem, o Mau Senso virá também e pergunte se, qual o brilho mais incandescente da vida, cada um dirá que é o seu. Com quê a Angústia se angustia? Será uma disposição privilegiada? A pre-sença coloca se diante de si mesma, orgulhosa e olvida se dos feitos antanhos: transformava degradados em Barões, uma parturiente só de Fidalgos.
Vem doloroso, das Angústias dos Tímidos, todo o peso como condenação, sonhos deixados atrás de todos, salvo, as sombras, os vultos enovoados nas neblinas globais.
Os filhos da Luz saem das mãos do autor, percorrendo as alamedas solitárias, simples tinta em papel pardo, ponta de feltro azul, esplenderosas curvas são desenhadas no dorso da alma, no humano lamento.
Mudos já, os lábios não descerram a corda dura, um som de últimas notas trémulas ecoa ao longe vindo das montanhas, gemidos do vento como aviso para os Escutantes.
Agora... aqui, as patas da Noite esmagam os colectivos e os individuais, um pânico da falta de luz abriga se no ventre materno, um silêncio liso e sinistro.
Um Silêncio Fronteira perdido e vagabundo …
21/05/2009
Vidas / Esqueletos / Ausências
os montes prenhes quimicamente adubados, feios tons da sujeira fosfatam
se!
Exagero.
incarnada nas faixas do século, uma eterna criança de pureza fundida por
dentro dos olhos
sons das sementes endoidecidas, afluentes calcinados, subterrâneos bichos
- os que nos devoram por dentro – necessário encarcerá los na masmorra
do desprezo
esmorecer coisas sólidas, sulcá las até ao cerne é trabalho de água!
Mas como?
se as fontes secas.
flor em árvore, fogo, a ave afasta se
tristeza no ventre das meninas, ouvidos da culpa tapados, espermas
futuros passeiam se em concreto – cimento armado oxidado – Entre tudo,
alma em remorsos, as catedrais.
patas de metal redondas, entre os actos, amam se intragáveis.
executem se os devidos alinhamentos.
cansaço nos ossos como tese, a antítese nas bolhas dos pés, uma síntese de
músculos entristecidos.
há um fogo desprendendo se dos crânios humanos.
um fim ou princípio
Aproxima se…
07/05/2009
A Nossa Si tuaç~ao
quem dorme agora?
uma gata pura e simples, estilhaça a parede fina protecção, por detrás um cão,
uma loba emergente.
quero mostrar ao mundo esta particular situação em partículas,
como fazê-lo?
se particularizo a borboleta tatuagem esvoaço me sem fim, exangue poiso,
no toque indefinível da pele, em polen convertido, escorro me pelo teu
cosmos fora.
há uma doce dor na íris de tanto te auscultar, uma alcateia de primárias emoções, uivam-me por dentro, neste nosso elo quente.
se particularizo a brisa que roça o meu rosto tão ténue,
que te sinto no corpo todo, em delírio tremens, a boca do sabor,
sibilante, de lábios escaldantes, fogueira invisível tacteia me,
ardível serei?
se particularizo a chama, por seres,
abraço a, forço a, estreito a contra mim, como água fresca
percorrendo me fico com os sentidos trocados?
se tenho escolha, serei
ar,fogo,terra,água!!!
ficarei mais perto, qualquer que seja a nossa situação.
25/04/2009
-VOCÁBULO DE VIDA-

O Vocábulo, agarrando me pelo braço, fez se ouvir: que como estrutura gráfica ou fónica da palavra, merecia mais respeito, porque punham em causa a sua liberdade, inclusive a dignidade existencial… sentia se insultado.
Mas… o que se passa? Perguntei ainda surpreendido com a abordagem.
Reparasse eu, que ele não lhe falava dos sacrifícios físicos de suportar os fétidos hálitos das bocas humanas, quando pronunciado, não, a isso já ele criara um hábito defesa, até porque, reconhecia, os humanos esforçavam se no disfarce: dentífricos, pastilhas elásticas, tabletes orais e quejandos.
A questão agravara se, ao nível do seu íntimo conteúdo, na maneira de ser usado até as suas prioridades de estar antes ou depois de, se tornaram vexatóriamente irrelevantes. Já lhe custara a engolir, quando a Academia o apelidara arbitrariamente de Polinimia, suportara bem a traição do Monossilábico, a fuga do Polissilábico e o jogo dúbio do Dissilábico que aliado ao Trissilábico conjuravam revoltas.
Fora um choque Metaplasmico, continuava ele, que a Assembleia do Povo, decretasse agora certas alterações na sua estrutura ( arbitrariamente outra vez) para o fazer sofrer. Assim passava eu, a sofrer alterações por adição, por supressão, por transposição e por contracção; assim era demais, a gota a transbordar.
Vou me retirar... Vocabularei noutras paragens... Desisto...
Vocês humanos são o mais irresolvido dos problemas!
Boquiaberto fiquei…
10/04/2009
Uma Lenda

uma lenda, rendilhada nos mais cristalinos pontos,
em sedas mãos,
nós sombras.
as palavras assustam demasiado para
serem usadas na sua torrente natural.
Surges ,
com passos de menina, os sonhos arrumados, guiando me
nos corredores finitos. recolho me como um poente
no bater do teu peito,
desfolho a chuva , para ti, sombra triunfal e sublime.
um dia as sombras,
nas asas do mais róseo flamingo,
tocaram se , e foram,
numa via inseparável, infinita,
uma só sombra.
04/04/2009
UMA TEORIA DA ESTUPIDEZ
A estupidez é praticada na nossa sociedade contemporânea e a sua origem perde-se nos meandros do principio do desconhecido . As manifestações estupidológicas invadem-nos quando nos expomos à observação da televisão, dos jornais e revistas, da rádio, ou num simples passeio pelas ruas da cidade.
O desenvolvimento dos grandes meios de transporte e comunicações contribuíram eficazmente para a sua extraordinária difusão e cristalização.
Fingir que o claramente óbvio é, de facto, inescapavelmente obscuro é a quinta essência da estupidez.
Seja quais forem as suas ideias ( as do leitor) sobre a origem da moral e ética da estupidez, há que fixar a imagem cartonizada ( imperativo categórico Kantiano ) do nosso antepassado de Neanderthal: a moca numa mão e a amada esposa a ser puxada pelos cabelos.
Reconheça-se aqui, que a estupidez praticada pelos nossos antepassados era ainda incipiente, longe portanto do refinamento, atingido na nossa época. O estreitamento mental já utilizado permitia-lhes lutar selvaticamente pelos seus interesses imediatos com apreciável eficácia: alguns crânios com machados embutidos, achados nas escavações arqueológicas , são prova irrefutável.
Apesar dos ataques e conspirações dos inteligentes, o facto é que os estúpidos conseguiram sobreviver e impor as suas ideias, o que por sua vez se constituía como exercício prático para aprimorar e refinar a estupidez.
Basicamente, o ser humano “primitivo” mostrou-nos o caminho para o refinamento estupidológico moderno, mas também o da felicidade estúpida. A sua obtusa mente, tornou-o capaz de conservar um horizonte intelectual curtíssimo evitando problemas compridos e combatendo os focos de inteligência.
A Guerra longe
O Preconceito ajudado pelas críticas violentas , que fazemos, é óptimo para evitar-nos a penosa sensação da solidariedade com alguma “coisa” cuja proximidade não nos convém. Sobre as vítimas , pensamos e porque são diferentes de nós – devem ter alguma culpa - . Recusamo-nos a pensar em termos de Humanidade.
No nosso bairro
Desta vez ficamos preocupados. Isto passa-se a alguns metros de nós. Cancelamos o passeio nocturno que pretendíamos fazer e lamentamos amargamente.
Perguntamo-nos, mas que faz a polícia? Todavia, receosos de que uma indesejável abertura mental ocorra, recorremos à técnica da amnésia estúpida: esquecemos o caso e mudamos de assunto.
Percepção estúpida do conteúdo
A Realidade fora do que pensamos
Tais ineptos que pretendem demonstrar que o conhecimento nos leva à liberdade, é óbvio que não conhecem a soberana liberdade dos completamente estúpidos, nem a doçura de obedecer livremente aos espontâneos férreos impulsos e desejos.
A síntese subtractiva
Trata-se da arte de compartimentar preconceituosamente , conhecida também por a síntese estúpida , por ser subtractiva, subtrai à observação e à priori , ou desde logo, tudo o que for relevante ou que possa vir a sê-lo. Claro que isto, exige muito menos esforço para definir a classe a que pertence cada objecto apresentado com pormenores irrelevantes para a inteligência, mas profundamente significativas para os estúpidos.
O uso da compartimentação é muito frutuoso.
A sistematização
A Asserção Estúpida em Geral é a ferramenta ideal para a sistematização do estreitamento mental. A Asserção Estúpida em Geral tem como ponto de contacto com o todo, o comum de todas as coisas: uma dupla característica, o dualismo.
Qualquer frase cujo conteúdo ou modo de expressão prime por expressar a estupidez do seu autor e, por outro, contribuir para estreitar a mente de quem as leve a sério.
Como complemento e para uma sistematização mais profunda, teremos que falar da Estupidez Implícita, de aspecto mais subterrâneo, daí a sua profundidade, que exerce a sua acção e influência no entupimento da inteligência sem que o observador externo se aperceba disso directamente. Engloba todos os casos em que a estupidez não se revela francamente mas está implícita, quase invisível. A grande estupidez brotará na sua plenitude como resultado dum longo e ruminado processo na profundeza íntima da psique.
Dois Exemplos da Grande Estupidez
1--A 1ª Guerra Mundial, com milhões de mortos, é um ícone da gloriosa caminhada da estupidez: foi feita para acabar com todas as guerras. ( 1914)
2--A comercialização das vidas dos seres humanos e com esforço centralizador numa raça ( a Negra ) é uma das nossas mais extraordinárias demonstrações da força da Grande Estupidez.( Período Esclavagista)
27/03/2009
Um caso... partiu se o vaso!
Um quadro regulado pelos relógios, os sinos são os símbolos do relógio religioso.
Há um pecado de ter “a coragem de enfrentar o tempo”?
Para contrariar o apodrecimento interno, a apetência pateta pela esterilidade, a abulia vertiginosa e a promoção do insignificante não há fundo nem limites.
Afinal é possível retirar um orgulho da actividade despojada. Seres que desenvolvem a exorbitante força de inércia, honram a letargia e a preguiça em valores absolutos.
A partir dos nove fora nada, cada um dedica se à tarefa essencial e fútil: matar o tempo.
Estes partidários lunáticos da demissão , ancoram se na meteorologia: a alma como uma substância atmosférica, cujas oscilações podem ser medidas e mudar. Um desígnio meteorológico no relacionamento com os nossos humores. Sabe-se da influência dos climas sobre os regimes políticos.
O Universo sisudo perdeu a sua aspereza, está reduzido a superfície plana, a formas, a imagens. Pode se experimentar tudo na condição que nada seja importante.
A doença como uma forma de vida.
Mártires da banalidade … mas mártires.
18/03/2009
Crítica à legislação sobre Património
Pegue-se num princípio orientador, num quadro normativo, ou da suposta sensibilização pública do património arqueológico ou mesmo nas entidades com atribuições policiais e de vigilância para se chegar rapidamente à conclusão que as intenções estão imbuídas dum conveniente espectro ambíguo. Não se trata de analisar o conteúdo gramatical e semântico, pois por aí está tudo devidamente arrumado e enquadrado, mas sim de analisar uma lei na sua intenção e aplicabilidade em termos práticos reflectidos no quotidiano das nossas vidas. A restrição das hipóteses de uma lei criar campos dúbios, seria a primeira qualidade da lei a observar.
Principio orientador:
Decreto Legislativo Regional n.º 27/2004/A de 24 de Agosto.
… a ameaça ao património arqueológico de destruição, em consequência da multiplicação dos grandes planos de ordenamento ou de escavações clandestinas, desprovidas de carácter científico…
A suposta intenção (governativa) de ordenar as coisas e as ideias, parte a priori em erro, e abre caminho à dualidade de critérios ou pareceres jurídicos, erro ao falar de escavações clandestinas e que por tal desprovidas de carácter científico, subentende-se que o científico é só aquele que praticado pelo governo ou que seja por ele indicado.
É perfeitamente possível e realizável que uma acção clandestina possa ter os ingredientes científicos, assim como o contrário, o de que uma acção ou intenção governativa (por imanar dele) seja científica por si só, também não tem sustentabilidade.
“ A ideia de progresso contingente exclui tanto a explicação, que transforma a descrição em dedução, como o arbítrio, que se apropria da contingência para afirmar de modo monótono que nada teve lugar, que os significados construídos e os problemas gerados se equivalem todos, pois são todos relativos ao seu contexto.”1
“ Uma ciência o mais objectiva possível, quer seja natural ou social, será a que inclui um exame consciente e crítico da relação entre a experiência social dos seus criadores e os tipos de estrutura cognitivas privilegiadas no seu modo de proceder.2
Artº. 1º
O quadro normativo relativo à gestão do património arqueológico, no sentido da prevenção, salvamento e investigação do património arqueológico imóvel e móvel na Região Autónoma dos Açores.
Lixeira a céu aberto da Ilha do Corvo.
A politica ambiental do Governo Regional na Ilha do Corvo que (e aqui o caricato) com o seu Parque Natural e a prestigiada Reserva da Biosfera da UNESCO atestam da dualidade lá atrás referenciada.
Um Centro de Interpretação Ambiental construído e inaugurado “ que está fechado e nunca funcionou”. Um Partido da Oposição critica este caso. (in Jornal Açoriano Oriental de 14-03-2009).
Artº. 3º
Compete à direcção regional competente em matéria de cultura a realização e colaboração em projectos e acções vocacionados para a sensibilização pública do património arqueológico, estimulando a sociedade civil para a promoção de iniciativas destinadas ao seu conhecimento.
Uma lei ou ordem posta numa folha de papel não passarão de palavras aceites pacificamente pelo próprio papel e será inócua se deixar o labiríntico da ambivalência ser o elemento regulador.
Artº. 34º.
Fiscalização
O cumprimento das disposições do presente diploma compete ao departamento do Governo Regional competente em matéria de cultura e ás entidades com atribuições policiais e de vigilância e fiscalização marítima.
Mesmo as “Acreditações” ,“Certificações” , são feitas pelo Estado global uno e omni.
Ele elabora e promulga a lei, corrige-a, sanciona e atribui a quem de direito. Compreende-se assim o “estado de graça” que daí advém e o grau de impunidade que podem gerar estas situações, ficando a via aberta para a aberração que amiúde verificamos nalgumas das realizações deste mesmo Estado, quando executa a sua protecção/preservação sobre o nosso património.
Atente-se no caso da fajã do calhau em São Miguel onde entra pelos olhos a dentro o atentório a uma situação de preservação da natureza, mas que e por estar de acordo com a legislação, “dentro do corpo da lei” se torna legitima, logo facto consumado.
Decreto Legislativo Regional nº. 28/2004/A
Fomento da empregabilidade e qualificação dos TRABALHADORES E PROMOÇÃO DO EMPREGO.
Esta intenção da promoção de emprego pode na verdade ter uma qualidade social subjacente , louvável até, mas em termos do móbil da preservação patrimonial e da memória colectiva passa-lhe ao lado.
É que depois e na prática quando um Museu é inaugurado porque se criaram um ou vários postos de trabalho e se quando qualquer um destes elementos falha o Museu acaba por estar fechado , negando assim a sua finalidade. Temos postos de trabalho mas não temos Museu.
Como solução um outro princípio orientador.
Defina-se então o que representa o paradigma: determinar as perguntas legítimas e os critérios segundo os quais se reconhece as respostas aceitáveis, impossibilitando uma terceira posição “fora do paradigma”.
Se o determinismo é o método que ao elaborar um conceito se consegue atingir o fim a que nos propomos, e aqui o que interessa é atingir o objectivo, façamo-lo sem rodeios e sem os complexos dos actos que nos levam a admitir que tudo o que decidamos terá que ter sempre o caminho da ambivalência. Sim, uma ditatorial norma que determine única e exclusivamente o resultado que se pretende, não é anti nada, pois na sua essência ela é pró qualquer coisa. Trata-se de uma escolha clara e inequívoca: ou quero atingir realmente o objectivo ( embora apelidado de anti qualquer coisa) ou prefiro ficar com o problema por solucionar, mas apelidado de democrático, tolerante, abrangente etc. Como exemplo cito a lei do código da estrada que determina que as viaturas devem circular pela direita ( em Portugal) e ao ser taxativa atinge resultados mais positivos. Imagine-se se a mesma lei fornecesse já no seu enunciado a dualidade de critério e que cada um decidia que conforme as circunstâncias ou os contextos poderia circular quer à esquerda direita ou centro, o caos e o acumular de processos jurídicos seria certamente o grande resultado.
Numa frase transformada em lei não interessa tanto a estética formal da mesma mas sim o que a sua estrutura enquanto enunciado ( lei) provoca e realiza na prática.
Da Fiscalidade e responsabilização.
Hoje em dia ,com os conhecimentos que temos dos servomecanismos, das mecânicas, dos modelos que se auto-regulam sem polícias ou fiscais, sendo os próprios elementos que compõem o modelo os reguladores por excelência, atente-se na engrenagem que realiza a existência de um relógio, em que o absoluto determinismo que lhe atribuímos, nos dá o resultado pretendido que são saber das horas.
Deixar ao critério humano a decisão de fiscalizar qualquer coisa, sabemos bem dos seus resultados. Atribua-se ao modelo (uma teoria mecanicista) a capacidade de se autoavaliar e de exercer uma eficaz fiscalização sobre si próprio enquanto modelo.
E se falamos de um património e uma memória colectiva que é de todos, tanto dos que estiveram , estão e estarão, não se pode deixar ao Estado a competência total. Assim este seria um assunto que deveria estar completamente independente da “alçada” do Estado, uma separação total entre eles. O que não constituiria novidade nenhuma, pois e só para dar o exemplo da Igreja, já houve uma altura em que foi decidida a separação do Estado e da Igreja e não advieram grandes males ao Mundo.
Forçosamente terá que existir um mecanismo que responsabilize. Assiste-se hoje em dia a uma desresponsabilização total dos actos e resultados ficando as más decisões sempre por atribuir. Se há benesses ou elogios nomeia-se a pessoa ou entidade visada. Se por acaso há uma crítica, ela já não é atribuída à pessoa ou entidade, mas sim à “conjuntura” que sabemos possuir as costas bem largas.
Bibliografia:
Legislação Regional sobre o Património
Legislação Nacional sobre o Património
Legislação Internacional sobre o Património
HARDING, Sandra, The Science Question in Feminism, Londres, ornell University Press, 1986.
STENGERS, Isabelle, As Políticas da Razão, Lisboa, Edições 70, 2000.
1 STENGERS, Isabelle, As Políticas da Razão, Lisboa, Edições 70, 2000.
2 HARDING, Sandra, The Science Question in Feminism, Londres, ornell University Press, 1986.
08/03/2009
Nkosi, o devorador de almas
havia naquele dia, um nauseabundo odor dos dentes cravados na carne jovem e inocente.
o lago mudo fora testemunha do vil estupro, um não-consensual, havia naquele dia nos olhos cor de arco íris de Koriskinha, uma resistência, ténue, porém, uma capa névoa de chumbeo peso, que ela sustentava nos olhos postos no ósseo chão de fileiras (in)humanas. o peso do arco temporal, uma trovoada seca anunciante de impiedades, uma combinação inoportuna, nos olhos de Nkosi a figura ferro/guerreiro.
havia naquele dia uma sabedoria em Koriskinha.
22/02/2009
Africanidade
Esta Africanidade petrolada, com conjunturas ditas civilizadas (Rainha Nzinga se visse ia rir) telemobilizada, fato e gravata pois então, na senda betão.
Bem a AFRICANIDADE que te quero falar ( hoje) não tem palavras ,só imagens.



























