16 de Ago de 2009

Queimada

Neves e Sousa

“Queimada”

Nesta hora sem futuro
Ruge a queimada lá fora.

Aqui na cama desfeita
Na cabeça reclinada
Num receio igual ao teu,

Treme a minha mão suada
Pelo que não aconteceu…

Nesta terra em cinzas feita
Passa o fogo e fica tudo escuro.”


Neves e Sousa

Na antiguidade o fogo era visto como uma das partes fundamentais que formariam a matéria.Na Idade Média, os alquimistas acreditavam que o fogo tinha propriedades de transformação da matéria alterando determinadas propriedades químicasdas substâncias, como a transformação de um minério sem valor em ouro.
Com o fogo a "morte" não existe , opera se somente uma transformação, foi o que aconteceu com o Kimang.
Extinguiu se.
Voltará seguramente, desconhece se só como será.
KimdaMagna

8 de Ago de 2009

A [Mina] Amada




A [Mina] amada
é de carne
carnívoro
devoro-a
mas
também vegetal
mordiscando lhe
o talo verde
escorre dela
seiva
fotosíntese
nas pontas dos dedos
narinas dilatadas
respiro a
perfeita.

A [Mina] amada
é uma colheita
alimento
mastigo
os frutos
verdes
maduros
saliva
sumarenta

arrepio de boca
suculento.

24 de Jul de 2009

OS SÍMBOLOS



Uma medalha de plástico, recebera como espólio – caminhante humano - podiam ser vales de refeições, mas não, a categoria que figurava no seu cartão de identidade não lhe conferia direito de utilização, e sob o nevoeiro citadino diluía se ( uivos em sangue), gravado de pranto o grito estilhaçou se nele.
Já era um desequilíbrio psíquico, querer fixar a imagem num plano concreto; os símbolos usam máscaras, o ontem e o amanhã que vivemos na paisagem presente, um fio de dias em colar sufocante.
Quando lhes falei da imaginação da matéria, com pinças pontiagudas esterilizaram logo a imaginação. O mundo sem imago não é alcançável.
Um outro ser está na outra margem, em milhas de lonjura. È aquele que a tarde arrebatou, o guerreiro que não cessou de falar da terra prometida, foi ardendo sagrado sem descanso.
Na ilha longínqua os humanos eram feios e obesos, mas nada disso se via, cada um somente revia a sua imagem, e nunca aceitaram que a linguagem é vitalmente metafórica e que o inconsciente é mais poético.
A linguagem e a razão discursiva vieram depois do símbolo, altere se então o dado bíblico: ” no princípio era o [verbo] símbolo”.
“Levanta te, ó Senhor da floresta, ao cima da terra!” assim evocava o Rig Veda III,8, 3.
Ainda é e está viva a imagem arcaica da Montanha Cósmica, a Àrvore do Mundo e o Pilar Central, embora quase ninguém as queira ver.
O Umbigo da Terra terá se deslocado, algum milímetro cósmico, e seria ali o centro da comunicação entre a Terra, O Céu e o Inferno?

17 de Jul de 2009

POETAS





“Jay Forrester demonstrou matemáticamente, com os seus modelos computorizados de cidades,
em que torna claro que qualquer coisa que nos propomos fazer, com base no senso comum,
inevitavelmente tornará as coisas piores, e não melhores.”

Temos de confiar nos nossos cientistas para nos ajudarem a descobrir o caminho mais curto, mas
para o percurso mais longo do futuro dependemos dos poetas.

Um poeta é afinal, uma espécie de cientista, mas empenhado numa ciência qualitativa em que
nada é mensurável.

Nos seus versos, ele pode juntar meticulosamente peças do universo, em configurações
geométricas tão belas e equilibradas como cristais.
Os músicos e os pintores escutam e copiam o que ouvem.

11 de Jul de 2009

HUBRIS

Chet-zar



O nosso eu estará numa fase acelerada de envelhecimento, agora que os cientistas, clonando, eliminam metaforicamente a morte. Pensava eu que o uso da metáfora era uma exclusividade dos prosas e poetas desta vida.
Criaremos um Eu verdadeiramente órfão que escolherá sem piedade o que lhe for inadequado, pela violência contra a singularidade e então sim, dizem a Biologia e Astrofísica, haverá pouco mais de substancial.
Na verdade os Híbridos vencem, o ADN recombinante mostra garras e dentes, e a Hubris pavoneia se incansável.
A Etimologia, que também é uma ciência, vem sofrendo nas últimas décadas ataques levianos e puramente caprichosos de muitos académicos irresponsáveis.
A palavra – híbrido - é relativamente moderna, mas imediatamente por detrás dela, a nu, está a palavra latina Hybrida, que era nome de filho indesejável do cruzamento dum javali com uma porca doméstica.
Recuemos então às origens mais remotas: antes de ser Hybrida, era Hubris, uma palavra do grego antigo, que significava, arrogância, insolência, contra os Deuses; Hubris tem duas raízes Indo – Europeias, Ud , que significava “ para cima” ou “para fora”, e Gwer, “violência” e “força”. Afronta era o seu sentido geral.
Hubris adquire nacionalidade inglesa no final do século XIX, passando imediatamente a calão, e descrevia uma pessoa que usando deliberadamente uma elevada capacidade, se metia em sarilhos.
Aos produtos dos Botânicos e Zóologos, juntam se as combinações entre os ácidos nucleicos de células de mamíferos e de bactérias a serem produzidas em sistema fabricial, o verdadeiro estado de demência.
Hubris é palavra poderosa e transporta em si ( até aos nossos dias) o peso da desaprovação.
E aquela mentalidade que concebeu a fusão e cisão do átomo, primeiro para destruir “ a cidade” e depois para aquecê la, a que constroi os aditivos alimentares é também a fabricante das minúsculas particulas de plástico, a mesma que leva o ser humano a fabricar um híbrido de si próprio.
Convém não nos distrairmos fatalmente desta Hubris, e ficarmos embevecidamente orgulhosos só com os olhos postos nos plasmas do telemóvel, televisão ou computador.

BRRRRR... o frio nesta humanidade, é de rachar.


4 de Jul de 2009

Escada Coxa

Robert Morris
Auto manipulação

Escada coxa
[ manca].

Humanos degraus
passos

a cima
´para baixo

tontura...
falta o corrimão

sem apoio
no inesperado
estatelo me...
Patamar.

vinha descendo...

subindo?

27 de Jun de 2009

TIRANIA DOS VALORES

Karl Person

Dúvidas firmes, incertezas absolutas, sou um Durão, olho só em frente que de frequente, me torno ausente não de mim, mas dos outros. Minha aprendizagem foi assim: carente de toque. Mais tarde busquei, ainda, Escola de Carência, não encontrei. Não constava dos Curriculares, nem nos Académicos.
A máquina ganhou forma em mim, a mecanicidade de controlar o todo com a mínima parte ( Eu ). Tudo o que sou, devo o à máquina, tal como esta indiferença pela morte da carne humana, a Estatística – a nova certa ciência- os Números, a minha nova religião.
Tenho poderosa arma e esgrimo a na ponta do olho mecânico: a regularidade linear das páginas de Normas na uniformidade visual da letra impressa, induzo, induzindo realizo me deus, nos pesos e medidas.
Ser circunferência em toda a parte, princípio e fim no mesmo lugar, o centro em parte alguma, no oco sem fim, tipo tirania desumanizadora, produzo mensagens vazadas em símbolos fonéticos, seriados, a fonte humana individual , renego a , prefiro a capacidade técnica e não a consciência da maneira como adquirimos conhecimento, aliás o grande inimigo a abater.
Acumular “sem preconceitos” os factos brutos, está inscrito nos panteões e bandeiras da minha matriz governativa.


19 de Jun de 2009

Rotina retórico-ideológica


Na doce ciência da murraça, espero uma chegada, um regresso.
Aquiles será compatível com a pólvora e os neutrões?
No entanto a poesia , dá a sensação de franquear impetuosamente a temporalidade, conquistar o signo verbal.
Se me destruo é porque não há lugar para mim. E eis que choro como uma criança, tão cheio de vida é este mal.
Máquina paradoxo, grávida do próprio ressoo, do duplo espaço branco.
Vazar os muros cronológicos, do estático e homogéneo, a intenção sublime de confrontar o ópio alienado dos ileteratos, ser se uma alma no mundo.

Pergunta mansa e expectante:

Se aprendo silabando o ler e interpretar, os meus olhos ficarão apartados da plenitude imediata de ver?
O inferno é a visão de uma viagem, tesouro de artifícios, na realidade, a cisterna retém, a nascente transborda.
Não se morre de dor: esse o vil castigo.
Somos vasos de carne e osso e o poema dá nos um Narciso que se nega a si mesmo, na realidade os ácidos corroem os vasos que os contêm. Porque não? Já se colhem flores no Inverno.

No tempo do “tempo de antes” não havia tempo, refugiado em coisas que não sou, apavora me de vir a ser, assim como um sonho hermético que nunca acorda, na realidade foram dois burgueses que falaram de comunismo.

Este esforço de transpor para o som da voz o som das coisas será o tal mítico cantar da sereia?

Concentro me no campo semântico que na sua estratégia de ir e vir é sempre mais lento e sinuoso que a percepção visual.
Uma esperança de nos escutarmos poetando todas as fases, fenda radical de onde brota o sujeito, está a dor!
A metáfora é só experiência calada?
E o texto narrativo , só lembranças e sonhos?

Se calhar, tão somente a necessidade de amarrar nos fios do alegórico, o nó existencial recorrente, nos insolúveis caminhos, na realidade, o cânon literário é o passado a reger o presente; chegados aqui podemos verter algumas lágrimas nostálgicas.
A Razão assumindo as milenares funções da religião e arte… huuumm… não acredito.
Proliferam os signos em toda a parte e tempo, mas cadê? a jornada inesquecível da experiência, geradora de significados.

5 de Jun de 2009

Multiplos Orgasmofiscais





...o acordar já é uma aurora deslumbrante, pois que o pensamento já sabe da ida à Repartição de Finanças. No caminho para lá, chilreio e aos saltinhos felizes e esvoaçantes, o meu coração anseia pelo excelso encontro.

O paraíso ( fiscal) é já aqui.

Mesmo o edíficio é lindo, cinza cor, tem brilhos inusitados e uma aura envolvente, me chama contribuintemente.
...depois no contacto visual e sensitivo dos barulhinhos electrónicos numerados, melodiosos, chamam por nós; ao décimo terceiro "tlim dlom" ocorrem os almejados orgásticos fiscalizados prazeres.

Ali tenho uma identidade, não me sinto só, sou um ser pleno e realizado, no seio deste calor humano dentro e fora destes balcões os odores e impaciências acomodam se.
Quase na hora de despedida desta reconfortante divinal situação, meu coração, aperta se, por não saber da certeza do meu retorno a esta " Mãe" casa.
Tenho como ideal aumentar as minhas vindas a este paraíso fiscal, este sim o verdadeiro e palpável.

31 de Mai de 2009

SILÊNCIO FRONTEIRA


O filho é pai do homem, ao lado da mãe-natureza que doa e tira a vida, preservando a espécie.
Quando se produz uma coexistência, a minha escrita, a escrever fragmentos do kotidiano alheio, é rara, minha intenção não mora aí, ou mesmo não coexiste, é isso.
A experimentação das falsificações leva ao suposto caminho da inventividade!
Que fará uma mãe perante o desabrochar perverso de um filho? Muito cérebro e pouco coração, ou buscará inversos?
Então vou aceitar que existem ideias fora do lugar, esta por exemplo, vendo o bondoso homem padecer de um avassalador cancro no corpo, penso que entre um século que morre e outro que nasce há relatividades várias, mas por outro lado o eclipse do sol seja por segundos ou séculos, não tem as cores definidas/visíveis.
O amor das aparências rutilantes. O que é que o temor teme? O ameaçador não se encontra em lugar algum é um nada meramente negativo, a "causa " e a "coisa" do pensamento.
Chame se então o Bom Senso, não se preocupem, o Mau Senso virá também e pergunte se, qual o brilho mais incandescente da vida, cada um dirá que é o seu. Com quê a Angústia se angustia? Será uma disposição privilegiada? A pre-sença coloca se diante de si mesma, orgulhosa e olvida se dos feitos antanhos: transformava degradados em Barões, uma parturiente só de Fidalgos.
Vem doloroso, das Angústias dos Tímidos, todo o peso como condenação, sonhos deixados atrás de todos, salvo, as sombras, os vultos enovoados nas neblinas globais.
Os filhos da Luz saem das mãos do autor, percorrendo as alamedas solitárias, simples tinta em papel pardo, ponta de feltro azul, esplenderosas curvas são desenhadas no dorso da alma, no humano lamento.
Mudos já, os lábios não descerram a corda dura, um som de últimas notas trémulas ecoa ao longe vindo das montanhas, gemidos do vento como aviso para os Escutantes.
Agora... aqui, as patas da Noite esmagam os colectivos e os individuais, um pânico da falta de luz abriga se no ventre materno, um silêncio liso e sinistro.
Um Silêncio Fronteira perdido e vagabundo …

 

21 de Mai de 2009

Vidas / Esqueletos / Ausências



os montes prenhes quimicamente adubados, feios tons da sujeira fosfatam
se!
Exagero.
incarnada nas faixas do século, uma eterna criança de pureza fundida por
dentro dos olhos
sons das sementes endoidecidas, afluentes calcinados, subterrâneos bichos
- os que nos devoram por dentro – necessário encarcerá los na masmorra
do desprezo
esmorecer coisas sólidas, sulcá las até ao cerne é trabalho de água!
Mas como?
se as fontes secas.
flor em árvore, fogo, a ave afasta se
tristeza no ventre das meninas, ouvidos da culpa tapados, espermas
futuros passeiam se em concreto – cimento armado oxidado – Entre tudo,
alma em remorsos, as catedrais.
patas de metal redondas, entre os actos, amam se intragáveis.
executem se os devidos alinhamentos.
cansaço nos ossos como tese, a antítese nas bolhas dos pés, uma síntese de
músculos entristecidos.
há um fogo desprendendo se dos crânios humanos.
um fim ou princípio
Aproxima se…

7 de Mai de 2009

A Nossa Si tuaç~ao

Mi'guili

quem dorme agora?
uma gata pura e simples, estilhaça a parede fina protecção, por detrás um cão,
uma loba emergente.
quero mostrar ao mundo esta particular situação em partículas,
como fazê-lo?
se particularizo a borboleta tatuagem esvoaço me sem fim, exangue poiso,
no toque indefinível da pele, em polen convertido, escorro me pelo teu
cosmos fora.
há uma doce dor na íris de tanto te auscultar, uma alcateia de primárias emoções, uivam-me por dentro, neste nosso elo quente.
se particularizo a brisa que roça o meu rosto tão ténue,
que te sinto no corpo todo, em delírio tremens, a boca do sabor,
sibilante, de lábios escaldantes, fogueira invisível tacteia me,
ardível serei?
se particularizo a chama, por seres,
abraço a, forço a, estreito a contra mim, como água fresca
percorrendo me fico com os sentidos trocados?
se tenho escolha, serei
ar,fogo,terra,água!!!
ficarei mais perto, qualquer que seja a nossa situação.

25 de Abr de 2009

-VOCÁBULO DE VIDA-




O Vocábulo, agarrando me pelo braço, fez se ouvir: que como estrutura gráfica ou fónica da palavra, merecia mais respeito, porque punham em causa a sua liberdade, inclusive a dignidade existencial… sentia se insultado.
Mas… o que se passa? Perguntei ainda surpreendido com a abordagem.
Reparasse eu, que ele não lhe falava dos sacrifícios físicos de suportar os fétidos hálitos das bocas humanas, quando pronunciado, não, a isso já ele criara um hábito defesa, até porque, reconhecia, os humanos esforçavam se no disfarce: dentífricos, pastilhas elásticas, tabletes orais e quejandos.
A questão agravara se, ao nível do seu íntimo conteúdo, na maneira de ser usado até as suas prioridades de estar antes ou depois de, se tornaram vexatóriamente irrelevantes. Já lhe custara a engolir, quando a Academia o apelidara arbitrariamente de Polinimia, suportara bem a traição do Monossilábico, a fuga do Polissilábico e o jogo dúbio do Dissilábico que aliado ao Trissilábico conjuravam revoltas.
Fora um choque Metaplasmico, continuava ele, que a Assembleia do Povo, decretasse agora certas alterações na sua estrutura ( arbitrariamente outra vez) para o fazer sofrer. Assim passava eu, a sofrer alterações por adição, por supressão, por transposição e por contracção; assim era demais, a gota a transbordar.
Vou me retirar... Vocabularei noutras paragens... Desisto...
Vocês humanos são o mais irresolvido dos problemas!
Boquiaberto fiquei…

10 de Abr de 2009

Uma Lenda



uma lenda, rendilhada nos mais cristalinos pontos,
em sedas mãos,
nós sombras.
as palavras assustam demasiado para
serem usadas na sua torrente natural.
Surges ,
com passos de menina, os sonhos arrumados, guiando me
nos corredores finitos. recolho me como um poente
no bater do teu peito,
desfolho a chuva , para ti, sombra triunfal e sublime.
um dia as sombras,
nas asas do mais róseo flamingo,
tocaram se , e foram,
numa via inseparável, infinita,
uma só sombra.

4 de Abr de 2009

UMA TEORIA DA ESTUPIDEZ

Mi gue'l
As Origens da Estupidez

A estupidez é praticada na nossa sociedade contemporânea e a sua origem perde-se nos meandros do principio do desconhecido . As manifestações estupidológicas invadem-nos quando nos expomos à observação da televisão, dos jornais e revistas, da rádio, ou num simples passeio pelas ruas da cidade.
O desenvolvimento dos grandes meios de transporte e comunicações contribuíram eficazmente para a sua extraordinária difusão e cristalização.
Fingir que o claramente óbvio é, de facto, inescapavelmente obscuro é a quinta essência da estupidez.
Seja quais forem as suas ideias ( as do leitor) sobre a origem da moral e ética da estupidez, há que fixar a imagem cartonizada ( imperativo categórico Kantiano ) do nosso antepassado de Neanderthal: a moca numa mão e a amada esposa a ser puxada pelos cabelos.
Reconheça-se aqui, que a estupidez praticada pelos nossos antepassados era ainda incipiente, longe portanto do refinamento, atingido na nossa época. O estreitamento mental já utilizado permitia-lhes lutar selvaticamente pelos seus interesses imediatos com apreciável eficácia: alguns crânios com machados embutidos, achados nas escavações arqueológicas , são prova irrefutável.
Apesar dos ataques e conspirações dos inteligentes, o facto é que os estúpidos conseguiram sobreviver e impor as suas ideias, o que por sua vez se constituía como exercício prático para aprimorar e refinar a estupidez.
Basicamente, o ser humano “primitivo” mostrou-nos o caminho para o refinamento estupidológico moderno, mas também o da felicidade estúpida. A sua obtusa mente, tornou-o capaz de conservar um horizonte intelectual curtíssimo evitando problemas compridos e combatendo os focos de inteligência.

A Guerra longe
No País tal ( longe de nós) um bando de tresloucados irrompe na cidade Ypslon e pôs tudo a ferro e fogo.
O Preconceito ajudado pelas críticas violentas , que fazemos, é óptimo para evitar-nos a penosa sensação da solidariedade com alguma “coisa” cuja proximidade não nos convém. Sobre as vítimas , pensamos e porque são diferentes de nós – devem ter alguma culpa - . Recusamo-nos a pensar em termos de Humanidade.

No nosso bairro
No bairro da nossa cidade um meliante assaltou um senhor que ia a passar e roubou-lhe a carteira.
Desta vez ficamos preocupados. Isto passa-se a alguns metros de nós. Cancelamos o passeio nocturno que pretendíamos fazer e lamentamos amargamente.
Perguntamo-nos, mas que faz a polícia? Todavia, receosos de que uma indesejável abertura mental ocorra, recorremos à técnica da amnésia estúpida: esquecemos o caso e mudamos de assunto.

Percepção estúpida do conteúdo
É mais passiva que a formal, tem a vantagem de nos impedir o acesso à inteligência, e evita que prestemos inadvertidamente atenção a tudo que não rasteje ao nosso nível. Uma das portentosas características da estupidez é a ambição de não saber. A percepção estúpida das coisas, tem como finalidade, afastar-nos do contacto com a Realidade, de contrário iluminaria a mente sem dó nem piedade.

A Realidade fora do que pensamos
Os mais variados pensadores ( filósofos, teólogos, da ciência) acreditam na existência de uma Realidade fora do que pensamos ou sintamos em relação a ela; outros afirmam que só o conhecimento da Realidade onde estamos inseridos nos dará liberdade.
Tais ineptos que pretendem demonstrar que o conhecimento nos leva à liberdade, é óbvio que não conhecem a soberana liberdade dos completamente estúpidos, nem a doçura de obedecer livremente aos espontâneos férreos impulsos e desejos.

A síntese subtractiva

Trata-se da arte de compartimentar preconceituosamente , conhecida também por a síntese estúpida , por ser subtractiva, subtrai à observação e à priori , ou desde logo, tudo o que for relevante ou que possa vir a sê-lo. Claro que isto, exige muito menos esforço para definir a classe a que pertence cada objecto apresentado com pormenores irrelevantes para a inteligência, mas profundamente significativas para os estúpidos.
O uso da compartimentação é muito frutuoso.

A sistematização
Com uma extraordinária riqueza de meios empregues o número de estúpidos activos é grande. A variedade de formas que a estupidez mostra, o requinte e a complexidade que consegue, torna-a fascinante e inesgotável. Floresce de inspiração a estreiteza mental, proporcionando crescimento demográfico seguro e estável.
A Asserção Estúpida em Geral é a ferramenta ideal para a sistematização do estreitamento mental. A Asserção Estúpida em Geral tem como ponto de contacto com o todo, o comum de todas as coisas: uma dupla característica, o dualismo.
Qualquer frase cujo conteúdo ou modo de expressão prime por expressar a estupidez do seu autor e, por outro, contribuir para estreitar a mente de quem as leve a sério.
Como complemento e para uma sistematização mais profunda, teremos que falar da Estupidez Implícita, de aspecto mais subterrâneo, daí a sua profundidade, que exerce a sua acção e influência no entupimento da inteligência sem que o observador externo se aperceba disso directamente. Engloba todos os casos em que a estupidez não se revela francamente mas está implícita, quase invisível. A grande estupidez brotará na sua plenitude como resultado dum longo e ruminado processo na profundeza íntima da psique.

Dois Exemplos da Grande Estupidez
1--A 1ª Guerra Mundial, com milhões de mortos, é um ícone da gloriosa caminhada da estupidez: foi feita para acabar com todas as guerras. ( 1914)

2--A comercialização das vidas dos seres humanos e com esforço centralizador numa raça ( a Negra ) é uma das nossas mais extraordinárias demonstrações da força da Grande Estupidez.( Período Esclavagista)

27 de Mar de 2009

Um caso... partiu se o vaso!



A sombra silenciosa dos conventos e mosteiros inculcada numa minuciosa organização horária. Ah, distraíram se, mas Lutero e Calvino apontaram o caminho: substituir a oração pelo trabalho.
Um quadro regulado pelos relógios, os sinos são os símbolos do relógio religioso.
Há um pecado de ter “a coragem de enfrentar o tempo”?
Para contrariar o apodrecimento interno, a apetência pateta pela esterilidade, a abulia vertiginosa e a promoção do insignificante não há fundo nem limites.
Afinal é possível retirar um orgulho da actividade despojada. Seres que desenvolvem a exorbitante força de inércia, honram a letargia e a preguiça em valores absolutos.
A partir dos nove fora nada, cada um dedica se à tarefa essencial e fútil: matar o tempo.
Estes partidários lunáticos da demissão , ancoram se na meteorologia: a alma como uma substância atmosférica, cujas oscilações podem ser medidas e mudar. Um desígnio meteorológico no relacionamento com os nossos humores. Sabe-se da influência dos climas sobre os regimes políticos.
O Universo sisudo perdeu a sua aspereza, está reduzido a superfície plana, a formas, a imagens. Pode se experimentar tudo na condição que nada seja importante.
A doença como uma forma de vida.
Mártires da banalidade … mas mártires.

18 de Mar de 2009

Crítica à legislação sobre Património



Pegue-se num princípio orientador, num quadro normativo, ou da suposta sensibilização pública do património arqueológico ou mesmo nas entidades com atribuições policiais e de vigilância para se chegar rapidamente à conclusão que as intenções estão imbuídas dum conveniente espectro ambíguo. Não se trata de analisar o conteúdo gramatical e semântico, pois por aí está tudo devidamente arrumado e enquadrado, mas sim de analisar uma lei na sua intenção e aplicabilidade em termos práticos reflectidos no quotidiano das nossas vidas. A restrição das hipóteses de uma lei criar campos dúbios, seria a primeira qualidade da lei a observar.
Principio orientador:
Decreto Legislativo Regional n.º 27/2004/A de 24 de Agosto.
a ameaça ao património arqueológico de destruição, em consequência da multiplicação dos grandes planos de ordenamento ou de escavações clandestinas, desprovidas de carácter científico…


A suposta intenção (governativa) de ordenar as coisas e as ideias, parte a priori em erro, e abre caminho à dualidade de critérios ou pareceres jurídicos, erro ao falar de escavações clandestinas e que por tal desprovidas de carácter científico, subentende-se que o científico é só aquele que praticado pelo governo ou que seja por ele indicado.
É perfeitamente possível e realizável que uma acção clandestina possa ter os ingredientes científicos, assim como o contrário, o de que uma acção ou intenção governativa (por imanar dele) seja científica por si só, também não tem sustentabilidade.
“ A ideia de progresso contingente exclui tanto a explicação, que transforma a descrição em dedução, como o arbítrio, que se apropria da contingência para afirmar de modo monótono que nada teve lugar, que os significados construídos e os problemas gerados se equivalem todos, pois são todos relativos ao seu contexto.”1
“ Uma ciência o mais objectiva possível, quer seja natural ou social, será a que inclui um exame consciente e crítico da relação entre a experiência social dos seus criadores e os tipos de estrutura cognitivas privilegiadas no seu modo de proceder.2


Artº. 1º
O quadro normativo relativo à gestão do património arqueológico, no sentido da prevenção, salvamento e investigação do património arqueológico imóvel e móvel na Região Autónoma dos Açores.


Lixeira a céu aberto da Ilha do Corvo.
A politica ambiental do Governo Regional na Ilha do Corvo que (e aqui o caricato) com o seu Parque Natural e a prestigiada Reserva da Biosfera da UNESCO atestam da dualidade lá atrás referenciada.
Um Centro de Interpretação Ambiental construído e inaugurado “ que está fechado e nunca funcionou”. Um Partido da Oposição critica este caso. (in Jornal Açoriano Oriental de 14-03-2009).


Artº. 3º
Compete à direcção regional competente em matéria de cultura a realização e colaboração em projectos e acções vocacionados para a sensibilização pública do património arqueológico, estimulando a sociedade civil para a promoção de iniciativas destinadas ao seu conhecimento.

Sabemos da aptidão inata que nós seres humanos temos para a saga da legislação, reforçada pela longa experiência que levamos na montagem de leis e normas ao longo da nossa história e que acabamos sempre por deixar o livre arbítrio com o rabo de fora.
Uma lei ou ordem posta numa folha de papel não passarão de palavras aceites pacificamente pelo próprio papel e será inócua se deixar o labiríntico da ambivalência ser o elemento regulador.


Artº. 34º.
Fiscalização
O cumprimento das disposições do presente diploma compete ao departamento do Governo Regional competente em matéria de cultura e ás entidades com atribuições policiais e de vigilância e fiscalização marítima.


Mesmo as “Acreditações” ,“Certificações” , são feitas pelo Estado global uno e omni.
Ele elabora e promulga a lei, corrige-a, sanciona e atribui a quem de direito. Compreende-se assim o “estado de graça” que daí advém e o grau de impunidade que podem gerar estas situações, ficando a via aberta para a aberração que amiúde verificamos nalgumas das realizações deste mesmo Estado, quando executa a sua protecção/preservação sobre o nosso património.
Atente-se no caso da fajã do calhau em São Miguel onde entra pelos olhos a dentro o atentório a uma situação de preservação da natureza, mas que e por estar de acordo com a legislação, “dentro do corpo da lei” se torna legitima, logo facto consumado.


Decreto Legislativo Regional nº. 28/2004/A
Fomento da empregabilidade e qualificação dos TRABALHADORES E PROMOÇÃO DO EMPREGO.


Esta intenção da promoção de emprego pode na verdade ter uma qualidade social subjacente , louvável até, mas em termos do móbil da preservação patrimonial e da memória colectiva passa-lhe ao lado.
É que depois e na prática quando um Museu é inaugurado porque se criaram um ou vários postos de trabalho e se quando qualquer um destes elementos falha o Museu acaba por estar fechado , negando assim a sua finalidade. Temos postos de trabalho mas não temos Museu.


Como solução um outro princípio orientador.
Defina-se então o que representa o paradigma: determinar as perguntas legítimas e os critérios segundo os quais se reconhece as respostas aceitáveis, impossibilitando uma terceira posição “fora do paradigma”.
Se o determinismo é o método que ao elaborar um conceito se consegue atingir o fim a que nos propomos, e aqui o que interessa é atingir o objectivo, façamo-lo sem rodeios e sem os complexos dos actos que nos levam a admitir que tudo o que decidamos terá que ter sempre o caminho da ambivalência. Sim, uma ditatorial norma que determine única e exclusivamente o resultado que se pretende, não é anti nada, pois na sua essência ela é pró qualquer coisa. Trata-se de uma escolha clara e inequívoca: ou quero atingir realmente o objectivo ( embora apelidado de anti qualquer coisa) ou prefiro ficar com o problema por solucionar, mas apelidado de democrático, tolerante, abrangente etc. Como exemplo cito a lei do código da estrada que determina que as viaturas devem circular pela direita ( em Portugal) e ao ser taxativa atinge resultados mais positivos. Imagine-se se a mesma lei fornecesse já no seu enunciado a dualidade de critério e que cada um decidia que conforme as circunstâncias ou os contextos poderia circular quer à esquerda direita ou centro, o caos e o acumular de processos jurídicos seria certamente o grande resultado.
Numa frase transformada em lei não interessa tanto a estética formal da mesma mas sim o que a sua estrutura enquanto enunciado ( lei) provoca e realiza na prática.


Da Fiscalidade e responsabilização.
Hoje em dia ,com os conhecimentos que temos dos servomecanismos, das mecânicas, dos modelos que se auto-regulam sem polícias ou fiscais, sendo os próprios elementos que compõem o modelo os reguladores por excelência, atente-se na engrenagem que realiza a existência de um relógio, em que o absoluto determinismo que lhe atribuímos, nos dá o resultado pretendido que são saber das horas.
Deixar ao critério humano a decisão de fiscalizar qualquer coisa, sabemos bem dos seus resultados. Atribua-se ao modelo (uma teoria mecanicista) a capacidade de se autoavaliar e de exercer uma eficaz fiscalização sobre si próprio enquanto modelo.
E se falamos de um património e uma memória colectiva que é de todos, tanto dos que estiveram , estão e estarão, não se pode deixar ao Estado a competência total. Assim este seria um assunto que deveria estar completamente independente da “alçada” do Estado, uma separação total entre eles. O que não constituiria novidade nenhuma, pois e só para dar o exemplo da Igreja, já houve uma altura em que foi decidida a separação do Estado e da Igreja e não advieram grandes males ao Mundo.
Forçosamente terá que existir um mecanismo que responsabilize. Assiste-se hoje em dia a uma desresponsabilização total dos actos e resultados ficando as más decisões sempre por atribuir. Se há benesses ou elogios nomeia-se a pessoa ou entidade visada. Se por acaso há uma crítica, ela já não é atribuída à pessoa ou entidade, mas sim à “conjuntura” que sabemos possuir as costas bem largas.



Bibliografia:
Legislação Regional sobre o Património
Legislação Nacional sobre o Património
Legislação Internacional sobre o Património
HARDING, Sandra, The Science Question in Feminism, Londres, ornell University Press, 1986.
STENGERS, Isabelle, As Políticas da Razão, Lisboa, Edições 70, 2000.
1 STENGERS, Isabelle, As Políticas da Razão, Lisboa, Edições 70, 2000.
2 HARDING, Sandra, The Science Question in Feminism, Londres, ornell University Press, 1986.

8 de Mar de 2009

Nkosi, o devorador de almas

Bruce Huffmann


havia naquele dia, um nauseabundo odor dos dentes cravados na carne jovem e inocente.
Nkosi assim fazia, por ser defeito. uma herança acontecera quando ele incinerara com as férreas garras, o alvo pescoço da inocência, enquanto dormia… um admirável horror mundo novo fora assim surgindo.
o lago mudo fora testemunha do vil estupro, um não-consensual, havia naquele dia nos olhos cor de arco íris de Koriskinha, uma resistência, ténue, porém, uma capa névoa de chumbeo peso, que ela sustentava nos olhos postos no ósseo chão de fileiras (in)humanas. o peso do arco temporal, uma trovoada seca anunciante de impiedades, uma combinação inoportuna, nos olhos de Nkosi a figura ferro/guerreiro.
havia naquele dia uma sabedoria em Koriskinha.
não olhar os olhos de Nkosi era sua armadura, se o começo involuntário queria evitar, que a loucura raízes e ramos já germinados a todos envolvia no mesmo plano solo, rumo apontado: o disforme. assim fazendo não tinha carne, não era corpo, distraída que estava ,seus olhos chorariam as cores nos leitos do barro estaladiço, a uma foz chegaria , mesmo que milénios dure a distância a percorrer.

22 de Fev de 2009

Africanidade


1 2 3 4 5
O animal político não tem cor. Acreditem meus avilos que é óptica verdade.
Esta Africanidade petrolada, com conjunturas ditas civilizadas (Rainha Nzinga se visse ia rir) telemobilizada, fato e gravata pois então, na senda betão.
Diz se Bantu. Não se diz betão, fica feio menino. Esqueceste tua memória?
Se calhar te falta o Complexo B por isso não pensas, só reflectes. Kazumbiaram te ou quê? Viraste espelho e gostas?
Bem a AFRICANIDADE que te quero falar ( hoje) não tem palavras ,só imagens.
SE diz : "uma imagem vale mil palavras" não é? Pois aqui estão dez mil palavras a dizer Africanidade.


6 7 8 9 10
Eu sei que a mente humana ( a nossa) anda meia desmiolada por isso vos lembro:
Figs.1 2 3 4 5 - Hipólito Andrade
Figs. 678910 - Neves e Sousa

15 de Fev de 2009

ARROGÂNCIA, A Entrópica



Quais as verdadeiras causas desta insegurança social que se capitaliza olhos a dentro da carne humana. Estuda - se e preserva - se a História porque ela é memória e fonte de conhecimento que nos ajuda a enfrentar o futuro? Se sim , porque não aprendemos então?

Já não fomos alertados para o hediondo ser em que o Ego se pode transformar? Humanismo eivado dum egocentrismo reduzido à infima espécie e representatividade do individum?

Esta garantia de um Homo Sapiens detentor da razão é muito débil.

Faço saber ( sim ,tem demasiada gente que não sabe) e relembro aqueles que sabem mas já esqueceram que existem criaturas para além de nós humanos que sabem da Ciência:

A construção do hexágono*, a mais pura das figuras geométricas, pelas abelhas que não têm instrumentos de medição dos ângulos é pré-humana.

A invenção da argamassa pela Andorinha utilizada em construções que serviram de modelo para as galerias e varandas que o Homo Sapiens faz.

A actividade dos Castores , um portento de técnica, capazes de dominar e transformar a paisagem à sua volta com os seus dentes, e construir diques de enormes dimensões para a regulação das correntes.

Se calhar é tempo de começar a combater esta arrogância sapiana que procura nas estrelas o que pode encontrar na Terra. Reduzirmo -nos à nossa insignificância seria um acto de grande lucidez e sapiência. Observando e respeitando a Natureza ficaremos mais fortes.

* O hexágono regular (figura com seis lados de igual comprimento e cujos ângulos têm todos a mesma amplitude).
Tratando-se de uma das configurações que permitem aproveitar ao máximo o espaço - as outras são os triângulos equiláteros, ou seja, figuras com os três lados e os três ângulos iguais, e os quadrados - , encontramo-la, por exemplo, nos favos de mel das colmeias ou nas "escamas" que recobrem a casca do ananás, as quais, para além do seu formato hexagonal, formam também espirais, de acordo com os números de Fibonacci.

31 de Jan de 2009

ULUME ( Afroasiático)

Norte de África

A amarelo a divisória do Sahel

As línguas afro-asiáticas ou hamito-semíticas. são uma família de línguas de cerca de 240 línguas e 285 milhões de falantes, espalhados pelo norte e leste da África, a região do Sahel e o sudoeste da Ásia. Outros nomes por vezes dados a essa família incluem "afrasiática", "lisrâmica" (Hodge 1972) e "eritréia" (Tucker 1966).
As seguintes subfamílias lingüísticas estão incluídas: Línguas bérberes , tchádicas ou do Tchade , egípcias , semíticas , cuchíticas ,beja (classificação controversa; geralmente classificada como parte do grupo cushítico) omóticas.
A língua ongota é considerada como afroasiática, mas sua classificação dentro da família continua controvertida, em parte por falta de dados mais concretos.


A África do norte é marcada pelo predomínio da religião Islâmica que chegou ao norte do continente durante o processo de expansão do islamismo, com o objetivo de difundir a fé muçulmana.
A miscigenação com africanos de raça negra teve origem nas migrações para norte provocadas pela escravatura dos grandes Impérios da Antigüidade e pelo Império Islamico, grande conversor e escravizador de populações negróides pré-islamicas.

O Norte de África encerra numerosos tesouros culturais, considerados património mundial.
Importantes florestas tropicais, que desempenham um papel fundamental nas migrações das aves e que servem de abrigo durante o Inverno. O Parque Nacional de Ichkeul na Tunísia, o Parque Nacional do Banco de Arguin na Mauritânia e o Parque Nacional das aves Djoudj no delta do rio Senegal, cuja maior singularidade consiste na co-habitação de cerca de um milhão e meio de aves aquáticas, com animais subdesérticos como os grandes varanos ou gazelas.[1]
O Parque Nacional do Banco de Arguin, localiza-se na costa atlãntica da Mauritânia, ao sul do Cabo Blanc, entre os 19º 21’ e os 21º 51’ de latitude e 16º e 16º 45’ longitude oeste e tem uma área de 1.200.000 ha.

Carta do Parque Nacional de Arguin

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­---------- Limites do Parque
--------- Pistas principais


O parque possui três formações bem diferenciadas:
O sector terrestre.
O sector costeiro - que inclui um bom número de ilhas.
O sector marinho – águas litorais pouco profundas, raramente mais de 5 metros e uma elevada produtividade biológica.
O sector terrestre é formado por um árido deserto de areias terciárias e quartenárias, com precipitação médial anual de 34 a 40 mm e os ventos são fortes podendo atingir 28 km/h. A vegetação é dominada por espécies variadas com certa influência mediterrânica.
Destaque-se a Acácia (Acácia tortilis), a espécie Balanites agypticaca de frutos comestíveis e sementes oleaginosas, a Euforbia balsâmica e o Esparto ( Leptadenia spartum).
Na fauna, tem um protagonista de excepção, a Gazela (Gazella dorcas). Esta espécie, antigamente abundante ( em grande parte no Saara Ocidental), foi levada quase á extinção na 2ª. Metade do século XX.

Gazela Dorcas

Parque de Arguin

Dentro dos carnívoros, os areais do parque, registam a presença do Feneco ( Fennecus zerda), pequeno canídeo de enormes orelhas, o Gato-Silvestre-Africano ( Felis Lybica) e o Gato-do-General-Margarita ( F. Margarita) assim como a visita ocasional da Hiena –parda ( Hyaena Hyaena).

Duas grandes transformações ocorridas na metade norte do continente africano tiveram um impacto na mudança e distribuição demográfica, uma climática e outra cultural. Por volta de 2000 a.C. o Saara transformou-se no grande deserto que é hoje. Este processo de transformação está balizado entre 8000 e 2000 a. C. e inicialmente possuía um clima muito mais húmido, terra própria para pastagens, com caça abundante, enquanto nos planaltos crescia uma floresta mediterrânica.[2]
A outra grande mudança consistiu na difusão de toda uma série de inovações iniciando uma série de progressos tecnológicos. Os utensílios aperfeiçoados, a cestaria e a cerâmica (transporte e armazenamento), a construção de cabanas mais ou menos definitivas e sobretudo a domesticação dos animais ( para alimento e força de trabalho) e as sementes e raízes podiam não só ser apanhadas como também cultivadas e melhoradas. Em primeira análise ressalta que os grupos criavam condições para se tornarem maiores e mais estáveis ( sedentarização).
Para dar algumas certezas a Arqueologia revelou que as regiões adjacentes da Europa e Próximo Oriente afinal não eram muito mais evoluídas , o que deita por terra as teorias etnocentristas de alguns historiadores que atribuíam como “ berço da civilização” o Próximo Oriente (Crescente Fértil).
Os povos do Saara antes de se transformar em deserto, trabalhavam o barro há tanto tempo como os povos do Próximo Oriente, assim como a pastorícia.
Mas afinal aquela ideia de que a agricultura tinha transformado o nómada (recolector-caçador) em sedentário e de que este seria um estágio mais evoluído, foi posta em causa pelas evidências arqueológicas ao mostrar que estes caçadores recolectores tinham afinal alcançado já antes os avanços tecnológicos que se atribuíam única e exclusivamente ao grupo sedentário. Ponto comum numa e noutra forma de organização será o de que, e em função da dieta alimentar que uns e outros foram observando, a variedade e a riqueza daquela determinava grupos mais fortes no sentido estrito da genética, da reprodução e sobrevivência.

A existência ou não de fontes de água é tido como dos factores mais importantes e determinante no desenrolar das acções humanas.
O rio Nilo é um grande rio do nordeste do continente africano que nasce a sul da linha do Equador e desagua no Mar Mediterrâneo. A sua bacia hidrográfica ocupa uma área de 3 349 000 km² abrangendo o Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quénia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Etiópia e Egipto. A partir da sua fonte mais remota, no Burundi, o Nilo apresenta um comprimento de 6 627,15 km.

Trajectos do Rio Nilo

É formado pela confluência de três outros rios, o Nilo Branco (Bahr-el-Abiad), o Nilo Azul (Bahr-el-Azrak) e o rio Atbara. O Nilo Azul (Bahr-el-Azrak) nasce no Lago Tana (Etiópia), confluindo com o Nilo Branco em Cartum, capital do Sudão.
Ao contrário dos outros rios, que com o solistício de verão, diminuem, o Nilo a partir dessa época começa a crescer até inundar quase todo o Egipto.
O fecundo lodo que as cheias anuais depositam nas quártizcas areias transformam o vale do Nilo. Sem ele seria um “ vale da morte.
As aluviões seculares depositaram uma camada que, com um mínimo de dez metros, se eleva em alguns pontos do delta a trinta metros; uma massa escura, quase denegrida. “ A terra negra”, Kemet, foi um dos primeiros nomes que os antigos egípcios deram ao próprio país; Egipto derivação de Het-kapt, “ morada do Ka de Ptaah” refere-se originariamente a Mênfis.[3]

Há mais de cinco mil anos o Nilo vem proporcionando riquezas para as sucessivas civilizações e culturas que floresceram as suas margens. O limo transportado pelas águas e o controle de sua vazão, por meio de barragens, assegura a irrigação permanente das planícies por ele banhadas, que chegam a produzir três colheitas por ano: no inverno, trigo, cevada, cebola e linho; no outono, arroz e milho; no verão, algodão, arroz, cana-de-açúcar e oleaginosas.
Rio Nilo

É evidente que do ponto de vista cultural que, desde 35.000 anos antes da nossa era, o ser humano desenvolveu várias tecnologias especificamente relacionadas com as condições climáticas e geográficas existentes. Nunca será demais lembrá-lo, para que as justificações nem sejam “divinas” nem ficcionadas.
Sabe-se que os ossos do ser humano não se conservam na terra tanto tempo como os artefactos que ele próprio produz. Isto é particularmente verdadeiro na África tropical, onde os graus de humidade e acidez dos solos são elevados. Por outro lado os artefactos produzidos pelo ser humano ao longo do seu percurso e de um modo geral todo e qualquer elemento cultural, sofrem mutações e acontece que o que mais amplamente se expande não será necessariamente o que deu início ao processo.
Junte-se a isto que entre todos estes povos houve cruzamentos, originando múltiplos graus de mestiçagem , relacione-se aqui o termo mestiçagem com o hibridismo que é o cruzamento de indivíduos de Gêneros diferentes, e o produto deste cruzamento recebe o nome de Híbrido. Quando os produtos destes cruzamentos apresentam comportamento reprodutivo semelhante aos das espécies que lhes deram origem e apresentam-se férteis, convencionamos chamá-los de Mestiços.
A hibridação não se constitui um fato novo, nem mesmo uma descoberta de laboratório ou algo parecido, ela ocorre na natureza e constitui um fenómeno espontâneo.
Não temos também garantias de que estes povos tivessem sempre vivido com rigorosas fronteiras geográficas. O campo de interacções que a abertura geográfica disponibiliza é substancialmente mais diferenciado.
Considerando que não existem provas em contrário, pensa-se que não existe nenhuma relação directa entre o tronco étnico e o tronco linguístico, pelo que é deveras importante não confundir a raça com a língua e com a cultura.
Os linguistas modernos ,( o que quer, que isso signifique) pensam ,que pouco ou nada distingue o grupo de línguas hamíticas de África do grupo de línguas semíticas da Arábia e do Próximo Oriente, o arábico e o amarico a língua dominante dos planaltos etíopes, consequência de muitos séculos de aculturação e de fixação de povos de línguas semíticas, tornaram-se para todos os efeitos africanas. Daí que as chamadas línguas hamíticas africanas e as chamadas semíticas existentes no Próximo Oriente e em África se chamem AfroAsiáticas.

Zepelins Italianos

Bombardeamento de posições turcas em terrítório líbio durante a Guerra ítalo-turca (1911-1912).


Greenberg, Joseph H., Linguistics, anthropological theory, cultural anthropology; Africa.
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADbia
[1] AAVV, Património da Humanidade- África do Norte e Ocidental, Tomo III, Placresa, 1997
[2] FAGE, J. D., História da África, Lisboa, Edições 70, 1997.
[3] RACHEWILTZ, Boris de, A Vida no Antigo Egipto, Círculo de Leitores, 1958.

27 de Jan de 2009

ULUME ( Nilo-Saariana)

Mapa Etnolinguístico

Nilo-Saariana
A energia humana e durante vários milénios foi exclusivamente conduzida em função dos víveres sazonais, das reservas alimentares que os solos e as técnicas possibilitavam.
O solo arável constituía o fundamento da permanência dos grupos. Da variada riqueza das dietas alimentares, como consequência, os variados graus de “força” daí emergentes.
No início da permanência de qualquer grupo a dominante social seria a defesa do território contra “o estrangeiro”, a defesa do território dos “ancestrais”.
O solo favorece ou retarda os desenvolvimentos dos Estados, da mesma maneira que favorece ou entrava o desenvolvimento dos indivíduos e da família.[1]
Estamos naturalmente falando dos grupos sedentários, pois que também existiram e continuam a existir outras formas de relacionamento com o meio ambiente, tais como o nomadismo.
Uma família de línguas é um grupo de línguas rigorosamente identificado e é uma unidade filogenética, isto é, todos os seus membros derivam de um ancestral comum. Este ancestral é geralmente muito pouco conhecido directamente, uma vez que a maior parte das línguas tem uma história escrita muito reduzida.

As línguas nilo-saarianas são uma das famílias de línguas africanas que se desenvolveram na região do actual deserto do Saara, antes desta região ter começado a desertificar, há cerca de 10 000 anos, e na região sul do vale do rio Nilo até aos Grandes lagos Africanos. Com a desertificação, vários grupos tornaram-se bastante diferentes uns dos outros; um dos maiores grupos actuais é o dos songai do Mali, com mais de um milhão de falantes e cujo nome está associado a um grande reino que existiu naquela região (ver Timbuktu).

O problema é que esse grupo de línguas ainda é hipotético: não há comprovação de que todas essas línguas são de fato relacionadas e podem ser agrupadas conjuntamente. O membro mais ocidental desta família é o songhai, falado em grande parte do Alto Níger, Mali e Níger. O ramo saariano abrange as línguas do norte da Nigéria, da República do Chade e de alguns assentamentos da Líbia. O ramo nilo-chadiano conta com um milhão de falantes no Sudão, norte do Chade, parte de Uganda e do Quênia, e no limite noroeste do Congo. As línguas núbias se localizam na fronteira do sul do Egito, ao longo do alto Nilo.
Esta a divisão das linguas Nilo-Saarianas : acholi • alur • ateso • dinka • fur • kanuri • langu • lendu • lugbara • luo • maasai • masalit • nuer • songai.
Arte dinka
Encosto para a cabeça

As línguas nilóticas são o ramo oriental da família de línguas Nilo-saarianas. O seu nome está associado aos nilotas que, como o nome indica, habitam a região sul do vale do rio Nilo, desde a Etiópia à Tanzânia, mas tendo-se espalhado também para o interior, incluindo a República Democrática do Congo.

Crianças acholi em Kitgum

Kitgum é um distrito no Norte do Uganda com uma área de 9,773.63 Km2. A sua capital a cidade de Kitgum está a 452 kms da capital do Uganda ,Kampala
Um dos mais conhecidos povos deste grupo são os maasai, com cerca de 800.000 pessoas divididas entre o Kénia e a Tanzânia; os acholi do Uganda são outro povo nilótico.
Os povos que falam línguas nilóticas, uma das subdivisões da família Nilo-saariana, encontram-se não só no Norte de África, como na Nigéria - a língua kanuri, por exemplo, é falada por mais de 1,5 milhões de pessoas. Existe um tipo físico “nilótico” – alto esguio como os Dinka do Sudão do Sul os Tutsi do Ruanda e os Maasai.

A Antropologia que nos interessa aqui, é aquela que se preocupa mais com os casos particulares e menos com as regularidades culturais universais. A antropologia social não está muito interessada no estudo da evolução humana, por o considerar demasiado especulativo, A ambição de atingir grandes teorias e princípios capazes de explicar globalmente os fenómenos culturais está ( ou deveria estar) fora do seu propósito. Privilegia antes a informação recolhida através da observação participante e documentada.
Ensaiar compreender e definir “um todo social”, desconhecendo as particularidades que fazem aquele todo social, é um caminho pouco seguro e dado às mais fantasiadas histórias.
A linguagem é um dos aspectos mais importantes da cultura humana e será uma das chaves para nos aproximar da compreensão dos estágios comportamentais do ser humano.
Sabe-se que as teorias evolucionistas não explicam toda a diversidade cultural. Se existe uma unidade psíquica da humanidade, como se explica toda a diversidade cultural existente? A evidência etnográfica e histórica mostra-nos que nem todas as sociedades passaram pelos mesmas fases na sua “ marcha evolutiva” para a “ civilização” e que portanto não existe um modelo único de evolução tendo é que serem reconsiderados os conceitos: o que é uma civilização? evolução como e para onde?

“Pinturas rupestres de TASSILI no Sara Africano, que se julga terem entre sete mil e dez mil anos, mostram figuras femininas a transportar símbolos, como quartos crescentes, que em geral são associados a deusas do Egipto e do Próximo Oriente. O povo que criou estas imagens pode ter sido de facto influenciado pelos antigos Egípcios, mas os historiadores da Áfrika Negra afirmam que elas representam a figura da deusa original, da qual derivam todas as outras, já que se aceita que a vida se iniciou em Áfrika.”[2]
John G. Jackson (1907-1993), argumenta que, os povos do litoral africano eram bons marinheiros e exploradores, e que terão levado esta cultura matriarcal baseada na deusa para a Ásia, Europa, Américas e Oceânia.


Bender, M. Lionel,The Nilo-Saharan Languages:AComparative Essay, München:LincomeEuropa, 1996.
Joseph Greenberg, The Languages of Africa (International Journal of American Linguistics 29.1), Bloomington, IN: Indiana University Press, 1963.
John G. Jackson,
Runoko Rashidi, John Henrik Clarke ,Introduction to African Civilizations, 1974.

[1] PAUL CLAVAL, SINGARAVELOU, Ethnogéographies, Paris, L’ Harmattan, 1995, p., 19.
[2] HUSAIN, Shahrukh, Divindades femininas, Colónia, Duncam Baird Publishers, 2001, p., 30.

25 de Jan de 2009

ULUME ( Khoisan )


PHILLIPSON, David, African Archaelogy, Cambridge, Ediç.2ª, 1993

As diferenças físicas a que nós chamamos raças devem-se á selecção natural dos mais aptos na interacção com o meio ambiente que os envolve. A luta pela sobrevivência é comum, observa-se em qualquer forma de vida, e os organismos tendo a capacidade de adaptação, transformam-se.
O ser humano, é em primeira instância, fortemente condicionado pelo Clima e pelas disponibilidades alimentares. Sabe-se que as capacidades físicas e mentais de qualquer ser humano estão directamente relacionadas com as dietas alimentares.
Alguns especialistas acreditam poder detectar as diferenças rácicas e linguísticas a partir da análise genética[1] das populações modernas e das ossadas.
A análise genética sugere[2]que os antepassados dos povos San da Áfrika Meridional cedo se isolaram de outras populações humanas.
Da relação próxima entre os povos San e Khoikhoi, que casaram entre si, ambos são conhecidos e referenciados como Khoisan.
A sua ancestralidade pode ser atestada pelas inúmeras pinturas rupestres que foram deixando pelos caminhos do tempo.
Arte rupestre Khoisan


http://urzeira.blogspot.com/2007/01/kung-san.html

Na zona do Kalahari, encontra-se uma das variadas formas destes caçadores-recolectores, conhecidos pelos Bosquimanos-Hotentote-Bochimane e identificados com a linha Khoisan.
Extensa área partilhada pelos actuais territórios da África do Sul, Namíbia e, sobretudo, Botswana. A Norte, algumas franjas entram por terras angolanas.


Deserto Kalahari

Os Primeiros habitantes do Zimbawe foram os Bosquímanos, Khoi - Khoi, e os agricultores Bantu, que são normalmente, indivíduos que têm uma subsistência ligada à agricultura e/ou à pastorícia. Em 500 - 1000a.C., vieram os Gokomeres (um grupo bantu), que ocuparam aquela zona e escravizaram os povos San.
Passado muitos anos, no século XI nasce a Sociedade Shona, que foi uma das mais ricas e poderosas sociedades, que também era ligada à agricultura. Hoje em dia as línguas faladas são: Shona, Ndebele e Inglês.[3]


Criança Bosquimana

Khoisan, Afro-Asiático, Nígero-Congoleza ( Bantu) e Nilo-Sariano, são as quatro famílias etno-linguísticas do continente Africano e como se pode ver pelo mapa acima as duas famílias a Afro-Asiática e a Nigero-Congoleza ocupam de longe áreas maiores.

[1] M.H. e D.V. Nietecki, Origins of Anatomically Modern Humans, Nova York, 1994.
[2] ILIFFE, John, Os Africanos história de um continente, Lisboa, Ediç.1ª, 1999.
[3] http://www.geocities.com/nucleoantropologia/trabalhos_alunos/mugabe.doc

24 de Jan de 2009

ULUME (1960/70)


Nos termos “ dum regime de correcção progressiva”[1] e “como indicações que poderão, os interessados, instruir as suas próprias investigações” escrevia José Redinha na introdução ao seu livro Distribuição Étnica de Angola. Este "espírito" é de preservar para se fazer uma história , não para encontrar culpados ou inocentes, melhores ou piores seres humanos, mas sim, para uma aproximação aos "reais kotidianos". Sabemos hoje dos condicionantes na acção da descrição que qualquer ser humano faz de outros acontecimentos passados ou presentes, já que ele próprio tem seu arquétipo cultural. Seguro será a auscultação de variadas fontes que nos fornecem outras pistas ,outras ideias, pois que a existir, a verdade, está mais próxima da diversidade do que de “ uma opinião só “.
Convém contextualizarmos no espaço e tempo a elaboração do Mapa Étnico de Angola, pois que ele antece os fluxos migratórios que aconteceram depois daquela data.
É pacífica a ideia de que, na sua maioria Angola é uma Nação Bantu. Não só pela identificação etno-linguística, mas também por variadíssimos outros reflexos culturais.
Quero frisar os trabalhos realizados por MEJU MA JIKUKA e expostos no seu blogue, de extraordinária importância para a Etnografia e a Etnologia, disciplinas que nos orientam para o objecto a compreender , está ali , acontece , fazemos parte.

Soba Kioko



Sombo,Lunda-Angola


Segundo o citado mapa de José Redinha Angola tinha ( 1960) os seguintes grupos etnolinguísticos:

Kikongo - Umbundu - Vaambo-Ambó - Kimbundu - Ganguela
Herero - Lunda-Kioko - Nhaneca-Humbe - Oshindonga-Xindonga


http://mesumajikuka.blogspot.com/
[1] REDINHA, José, Distribuição Étnica de Angola, Luanda, Edic.8, 1974.

22 de Jan de 2009

ELUME 1

infini-Ralph Maigrette


A ideia de que as unidades geográficas deveriam ser uniformes de uma secção para outra e abranger regiões culturais coerentes, é pouco consistente.
Estamos a tratar de espaços físicos enormes e de somas de tempo que nos escapam. Por outro lado partir do pressuposto “ à priori”, englobando a Europa, a Ásia e a África, num exercício “da frente para trás” como o todo que define particularidades de cada secção geográfica, não será o método científico mais proveitoso.
Partir de um local específico ( fracção geográfica)implica ter o local como objecto de estudo para assim ( acção presencial) revelar-se a metodologia mais adequada, pois por ela é condicionada.
Sabemos da nossa tendência para extrapolarmos métodos originados , que se mostraram noutros locais, esquecendo a condicionante do lugar com seus climas ,situação geomorfológica e as diferenciadas interacções dos diferenciados elementos que entram no processo interactivo. O reflexo do objecto cultural é ali no local que se dá. Cada específico local ( qualquer lugar do planeta) gera culturas específicas próprias do lugar. Comparar, transladar conceitos e métodos é atractivo e simples, mas por ser simples, não nos dá uma visão completa da situação.
O tempo absoluto não é ainda do domínio do ser humano. O tempo que vira as páginas das glaciações, que assiste ás sucessivas dinastias humanas, não nos lega tratados ou pareceres, por estar demasiado “ocupado” com o seu “ ser tempo”. Resta-nos a linguagem técnica (pela boca dos historiadores) que é ao mesmo tempo precisa e vaga.
O reconhecimento da Arqueologia torna-se assim uma ferramenta imprescindível, não para chegar “ á verdade pura” mas tão somente para um começo de análise onde as “coisas” se passaram realmente.
Tenta-se assim traçar uma perspectiva histórica do continente Africano, sem comparações com, ou condicionantes que preconceituam.


Nota: A jazida Olduvai, na Tanzânia é um dos lugares paleolíticos notáveis. Cinco camadas, atingindo uma espessura de uma centena de metros, apresentam numerosos restos fósseis humanos e uma colecção de instrumentos líticos muito abundante(1). O Homo habilis e Zinjanthropus teriam evoluído lado a lado. Outros Paleontólogos pensam que estes dois fósseis humanos pertenceriam a um mesmo grupo, o dos Australopitecos.

Mapa mostrando a área de investigação

Pesquisas na região Mutunda/ Karuma situada no norte do Uganda, baseada nos achados arqueológicos, etnográficos e históricos a fim de analisar a história dos Palwo assim como as suas tradições em matéria de cerâmica.
Dr. Kiyaga-Mucindwa, in The African Archaelogy Network.

Mapa da localização de Zanzibar

Em Zanzibar observam-se os métodos de agricultura praticados pelos povos Bantu que se encontram distribuídos em todo o centro, este e sul da África.
Abdurahman M. Juma, in The African Archaelogy…

A análise metalúrgica do material escavado em Kilwa Kisiwani, no sudoeste da Tânzania, mostrou que o ferro era produzido localmente, com vista a provável cunhagem de moeda.
Mapunda, Felix A. Chami, in The African Archaelog



(1) Andre Leroi-Gourhan, Pré-história, São Paulo, Pioneira Editora, 1981
"The African Archaelogy Network: research in progress ". Studies in the African past. Vol. 5, Dar es Salam, 2006.

20 de Jan de 2009

ULUME

Afó-Artista Angolano
A história da evolução humana, ainda está ser reconstruída com as partes dispersas que sobreviveram com a composição genética das populações actuais. Com a separação dos hominídios ( antepassados dos seres humanos) dos seus parentes animais mais chegados, os antepassados dos chimpanzés, numa época situada entre 6 e 4 milhões de anos atrás, quando o clima africano estava a arrefecer e a secar, criando a savana, na qual era tão útil andar como trepar. Os primeiros hominídios de que temos conhecimento foram os Australopitecos, dos quais só em Áfrika foram encontrados vestígios; o testemunho mais remoto provém do árido vale de Awash, no norte da Etiópia, e data de há 4,4 milhões de anos. Os seres humanos descendem de Australopitecos de constituição frágil ou de um antepassado comum a ambos.


Os testemunhos mais antigos da existência humana, provêm de antigos depósitos aluvionares em margens de lagos na garganta Olduvai, na Tânzania, em Koobi Fora ( Turcana Oriental), no Kénia e na margem ocidental do lago Niassa. Datam de há cerca de 2 milhões de anos. O Homo habilis nos seus esqueletos indica vários seres humanóides.
Os registos arqueológicos revelam que , há cerca de um milhão e oitocentos mil anos, surge um ser humano mais avançado. Os primeiros exemplares de Homo erectus e de machados manuais, provêm das margens de antigos lagos situados na região oriental de Áfrika, embora tenham sido encontrados utensílios de pedra noutras zonas do continente afrkano, nas proximidades da água, raramente nas florestas topicais, onde o alimento era escasso.
O primeiro Homo sapiens, com um cérebro um pouco maior, surgiu há cerca de 400 000 anos e na sua evolução anatómica deu origem ao ser humano moderno. Existem divergências e controvérsias veja-se a obra Origins of Anatomically Modern Humans de M. H. e D.V. Nitecki,1994.

A certeza é maior quanto às evoluções registadas no continente africano, visto que o ser humano anatómicamente moderno aperfeiçoou os seus utensílios de pedra, fabricando lâminas e pedra a partir de lascas e depois equipando pequenas pedras pontiagudas com cabos de madeira ou de osso, uma fase que deverá ter ocorrido há cerca de 45 000 anos na Áfrika Meridional. A indústria microlítica do Vale do Nilo ( cerca de 35 000 a.C.)(1) talvez o primeiro exemplo da indústria mineira que se conhece no mundo. Situada em Iwo Eleru, na região ocidental da Nigéria, ( 10 000 a.C.) outra indústria mineira, revela-nos que aquela tecnologia chegara aos limites da floresta Ocidental.


A partir de diferenciados modos de fabricação dos utensílios, com um contributo pouco significativo das migrações, os niveis de resposta tecnológica aprimoraram se, pois a exploração de ambientes locais oiriginavam uma crescente perícia. Dada a imensidão do continente a população total parece ser menor.

Os despojos de cerca de 200 pessoas deste período microlítico, descobertos numa gruta em Taforalte, em Marrocos, revelam poucos sinais de violência, mas uma elevada taxa de mortalidade infantil, uma forte hibridação e muitas doenças crónicas como a artrite, o flagelo dos povos antigos.
Em Áfrika, a longa história da evolução humana, a abundância de animais selvagens e a imensidão de insectos criaram um espectro de doenças particularmente rico e dicersificado e muito superior ao das regiões tropicais das Américas.

(1)African Archaelogical Review,8, 1990 de P.M.Vermeersch, E. Paulissen e P. van Peer
Os Africanos história de um continente, Iliffe, John, 1995

18 de Jan de 2009

ELUME

Os pioneiros da humanidade
Figura Nok em terracota
"Os Afrikanos foram e continuam a ser os sertanejos que colonizaram uma região do mundo particularmente hostil, a bem de toda a raça humana. Tem sido esse o seu principal contributo para a história. Por isso que são dignos de admiração, de apoio e de uma análise cuidada. Os temas centrais da história de Àfrika são o povoamento do continente, a capacidade de coexistência entre o ser humano e a natureza, a criação de sociedades resistentes e a sua defesa da agressão proveniente de regiões mais favorecidas. Como diz um provérbio do Malaui, [ São as pessoas que fazem o mundo; o mato tem feridas e cicatrizes] Por isso, o coração do passado africano é constituído pela história de um único povo que une os primeiros seres humanos aos seus descendentes vivos."
ILIFFE, John, Os Africanos-história dum continente, Terramar,1995
A Ilha do Corvo situa-se entre Europa e América do Norte, é de origem vulcânica, e para que conste, os seus primeiros povoadores foram Afrikanos. Data: 1500.
Tá aí mais um exemplo da força e coragem.



Na sua descrição da ilha ,Gaspar Frutuoso no ultimo quartel do século XVI, refere concretamente a existência destes escravos negros, de mulatos...
FRUTUOSO, Gaspar, Livro Sexto das Saudades da Terra, Ponta Delgada, ICPD, 1963



14 de Jan de 2009

Dia Internacional dos Povos Bantu.

N'DEBELA CASSULE
"Mil emoções, mil paisagens culturais"

Em Áfrika fica-se fascinado pela forma harmoniosa como grupos étnicos coexistem em muitos países. É verificável esta realidade. Só que por vezes e não são poucas, os ignorantes ( ignorante no sentido daquele que ignora) tecem falácias, ficcionam no âmago dos seus desesperos, acabando por eles próprios acreditarem nas suas mentiras.

As tensões crescem em Áfrika, como em todo o lado, quando as pessoas não vêem outra saída da pobreza a não ser lutar contra os vizinhos por recursos em desaparecimento.

No seu trajecto de Ser Humano me contem por favor quem não o fez assim?

Por outro lado explora-se esta animalidade latente que está em nós ( como seres humanos), veja-se ou oiça-se qualquer noticiário de qualquer País: a desgraça, a intriga a morte são o Pão de que se alimentam; é mais sensacional e retumbante a escrita da morte.

No aconchego dos seus lares, choram até uma lágrima de pena , mas no dia seguinte lá estão na fábrica de armas fabricando mais balas e mísseis. Nem consigo classificar isto de hipocrisia mas sim IGNORÂNCIA

Muitas zonas de Áfrika possuem grande abundância de recursos: os rios da Áfrika Central são activos geradores de energia hidroeléctrica. Tem muita gente que ri e é feliz , existe um futuro.

Transportar modelos de governação que são intrínsecos de uma geografia, porque apelidados de “modernos” “evoluídos” “ civilizados” por isso logo aceites, constitui a meu ver o erro crasso.
Com os falhanços das ditas “evoluídas democracias” verificamos, cruamente, que afinal “ estava o roto a falar do mal remendado?”

Saúdo então o dia o 8 de Janeiro como Dia Internacional dos Povos Bantu.

10 de Jan de 2009

MUSEU NACIONAL DA ESCRAVATURA EM ANGOLA

Museu da Escravatura conta com novos livros sobre a escravidão

O Museu Nacional da Escravatura conta agora com mais uma vintena de livros e suporte audiovisual sobre a escravidão, doados pela antropóloga afro-americana Sheila Walker, que esteve em Angola de 10 a 15 deste mês.
Uma nota de imprensa do museu, assinada pelo director geral, Simão Soundouila, informa que a doação de Sheila Walker ocorreu à margem do encontro que manteve recentemente, em Luanda, com os membros do Comité de Angola do Projecto da UNESCO “A Rota do Escravo”.“Os livros abordam vários aspectos do tráfico negreiro entre a costa africana, americana e das Caraíbas, a evolução histórica no novo mundo dos cativos, bem como a perpetuação nesta região das suas culturas de origem, a sua nova organização social, a neo-criação artística e literária”, referiu.A nota salienta ainda que os livros e discos definem o tráfico negreiro transatlântico como um puro mercado, a dimensão geopolítica e geoestratégica desse negócio, a contribuição da mão-de-obra negra na expansão do arroz no continente americano e no conjunto insular caribenho, entre outros aspectos do quotidiano dos escravos.
Fonte: Angola Press - Editado por AD Tuesday, 19 February 2008

O Museu Nacional da Escravatura, em Angola, ligado ao Instituto Nacional de Patrimônio Cultural (I.P.N.C.), se encontra na estrada que liga Luanda à Barra do Kwanza. Para sediar o museu, foi escolhido o interior de uma capela do século XVII, a denominada “Capela da Casa Grande”, localizada no Morro da Cruz, bairro afastado da cidade de Luanda, capital do país, a oeste do continente africano.



-UM MUSEU NA CAPELA DA CASA GRANDE -
O Museu da Escravatura de Angola é uma das instituições mais destacadas do país, e, de acordo com informações obtidas no local, foi criado com o objetivo de informar sobre a gênese da essência da história da escravatura em Angola.As instalações da sede do museu, em função da realidade do próprio país, são relativamente modestas. Apesar da simplicidade, o singelo museu é motivo de orgulho e identidade dos angolanos, que lhe atribuem um enorme valor e reconhecimento, funcionando como local que abriga os testemunhos da história de seus antepassados, que vivenciaram a escravidão e o sofrimento do povo angolano.Criado em 07 de dezembro de 1997, o Museu da Escravatura está instalado na propriedade do Capitão de Granadeiros, D. Álvaro de Carvalho Matoso, Almirante das Naus Lusitanas para as Índias.D. Álvaro, Cavaleiro da Ordem de Cristo, era filho de D. Pedro Matoso de Andrade, que foi capitão-mor dos presídios de Ambaca, Muxima e Massangano, em Angola, e um dos mais inveterados comerciantes de escravos da costa africana, na primeira metade do século XVIII. Este português deu origem à família européia mais antiga, que ainda possui alguns descendentes em Angola, ora com os nomes de “Matoso de Andrade e Câmara”, ora com a denominação de “Câmara Pires” . Apesar de D. Álvaro ter falecido nessa residência em 1798, hoje sede do museu, seus familiares e herdeiros continuaram a exercer o tráfico de escravos durante mais de 2 séculos, quando este foi cancelado em Portugal, sendo definitivamente abolido em 1836.A Capela da Casa Grande, onde se localiza o museu, é de grande representatividade histórica, e era o lugar onde os escravos eram batizados antes de embarcar nos navios negreiros que os levavam às colônias.
- A EVOLUÇÃO DO PROCESSO DE ABOLIÇÃO -

Gravura retratando torturas aplicadas aos escravos
No museu, o visitante pode aprender um pouco mais sobre o processo de abolição do tráfico de escravos através da seguinte evolução cronológica:· Dez/1836 – Um decreto é apresentado à Rainha de Portugal, D. Maria II, pelo Visconde de Sá Bandeira, 14 anos depois da independência do Brasil. No documento, apesar de não constar nada relacionado diretamente à causa da abolição da escravidão, nem à circulação dos escravos em território africano, já se proibía a exportação dos escravos através do mar para as colônias da América.· 1850 – O Brasil fecha seus portos à importação de escravos, dando início ao processo de decadência do tráfico de escravos.· 29/04/1858 – É expedido decreto prevendo a liberdade dos escravos nas colônias, que só ocorreu, de fato, 20 anos depois desta data.· 25/02/1869 – Um decreto real declara “libertos” todos os que eram escravos nessa data, estabelecendo, entretanto, que eles deveriam continuar prestando serviços a seus antigos donos, em troca de um pequeno salário.· 28/04/1875 – Um decreto dá a liberdade definitiva aos “libertos”, um ano após esta data, mantendo-os, porém, sob a tutela pública até 29/04/1878. A partir de 1878, preparam-se as leis trabalhistas que iriam estabelecer regras diferentes das leis européias para as colonizados. Desta forma, foi oficialmente estabelecido o fim da escravidão nas colônias portuguesas, não deixando, porém, de se evitar que as legislações corruptas incluíssem regulamentos que permitiam formas de trabalhos forçados, mesmo existindo um contrato de trabalho formal. Estes regulamentos só eram aplicados aos cidadãos das colônias, chamados de “indígenas”.· 1961 – O Decreto-Lei 39.666 revogou o “estatuto indígena”, passando a considerar todos os cidadãos das colônias como “ cidadãos portugueses”.· 13/12/1961 – Um diploma legislativo extinguiu a “taxa pessoal anual” ou “imposto indígena”. Em seu lugar, foi criado o “imposto geral mínimo”, que deveria ser pago por todos os cidadãos portugueses de todas as raças e condições sociais.

- POPULAÇÃO ESCRAVA -
Com base em dados de 1950, o número de escravos, de origem africana, existentes no continente americano, estava distribuído da seguinte maneira: EUA e Canadá – 31%; México e América Central – 0,7%; Caraíbas – 20%; América do Sul – 48%.No Brasil, no período de 1701 a 1810, os escravos angolanos representavam 68%. De 1817 a 1843, a quantidade diminuiu para 42%. Cabe destacar que, em 1843, os escravos de origem angolana somavam 33% dos escravos traficados para o Continente Americano. Neste mesmo período, dos 385.000 escravos exportados da África Central, 243 mil saíram através dos portos de Cabinda, Zaire, Ambriz, Luanda e Benguela.O Morro da Cruz, em Luanda, onde atualmente está localizado o Museu da Escravatura, era um desses portos de embarque de escravos.

Museu Nacional da Escravatura
End: Capela da Casa Grande
Morro da Cruz – Luanda – Angola
Horário de visitação: das 09 às 16 h





20 de Dez de 2008

V entre Seios

DeSousa's


O V do teu Seio, wonderbrava um nível sintáctico, paralelado no inverso,
assumia uma superfície textual, organizando o pensamento.

Repousava o ponto de vista, na confluência do V em seio,
tacteado em trémulos desejos, nomeadamente, entre dois elementos.

Uma estrutura cruzada, por entre os lábios,
um suspiro relacionável com o momento, deixa se descobrir, tesamente.

Nas configurações frásicas, fásicas, fálicas,
falo um poema falatório do silêncio,
escutado… um nada universo.

18 de Dez de 2008

LISBOA (Séc.XVI)


Posturas E ordenações
coimas e danos inclementes
e o que a acusar aja o dobro pêra ssy
escravidão e penitência.
Esses ditos Juízes o nom fizeram
o pagamento aqui na terra
mandaram que quallquer carnyceiro
seria o justiceiro eleito.
Jtem mandaram que todos aqueles
que usem as justas medidas
afynadas per o afynador
técnico de mecânica humana.

Mandarom que nom sseja neh~u tam ousado.


Nota: Contexto parcelamento em suporte agrário.

1 de Dez de 2008

Puro e Limpo

...
{ … para além das coisas da sobrevivência, há histórias e canções. diferentes eram as crianças, queriam aprender a ser ELES, recusando a guarda da memória, da vertigem, onde muitos naufragam.
interrogam-se alguns sobre o quadro abstracto dos deveres e obrigações, nos olhos de todos nós pendurados… uma galeria móvel.
falta aquela delicadeza da imaginação, enquanto a nossos pés, toupeiras escavam subterrâneos. se a graça e a postura nos assomam à pele o porquê da existência do nervoso ar inquieto.
o prazer efectivo é solidão e silêncio. nesta descrição diante de mim, uma pomba BRANCA faz os preparativos de guerra. os guerreiros de olhos vendados ( ancestral costume),esperam nos seus guetos feitos de tijolo e cimento familiar.
das profundidades mais remotas, ei-lo, que se apresenta puro e simples – o amor – fecundado em cada flor. insaciáveis frutos unirão os que forem iluminados e os que não forem.
matizes puros, surgem… as aves, voam novamente.
}



20 de Nov de 2008

Aluguel de Renda




[no es preciso nueta fiscal
a garantia é garantida.
meu apelido é telescópio
dgito curriculus na ora
todos zotros digitadores
não me igualam.
tnho tclado sm uma tcla
preciso só
cartomante… com urgência,
pago bem , em dinheiro.
sou propriotário de quartão,
banheirão e cozinhão.
minha morada:
dói números abaixo do seu.
no enclave fechado da curva
me embebedo
de vertigem
sou virgem.

28 de Out de 2008

!um Certo adormecimento



O homem dialogal e… coisa e Tal
sintético lido por um Jornal.

debaixo do seu Varandim,
soam os acordes d’um Bandolim,
crescem medos , cheios de Jasmim.

A mulher dialogal, dote Hormonal,
tabuleiro de xadrez , rainha Virginal.

heras em sua Extremidade,
crescem sem Idade,
assim… uma Multipolaridade…


ambiente de Ginástica: salto mortal para Trás

14 de Set de 2008

Combinações Celulares


Anichados em paranóia e carinhos,
manipulamo nos geneticamente
(fazia calor)
assessuadas ,as células , para um lado
as multicores para outro,
restariam as virgens em armazém de stock.

Celularmente alteramo nos,
(fazia mais calor)
fragilizando o imunitário sistema.
Tudo com intenção e bom propósito,
biotecnológicamente disfarçado,
o gozo carnal,
(calor infernal).
máximo divisor comum.

Roer o osso,
frações ordinárias.
Será o seguinte
(calor abismal).
As epicenas palavras
promíscuas
companheiras…

8 de Set de 2008

Mascarei Me





…casa, televisão, automóvel…
…signos, instrumentos, símbolos…

Produtor cria consumidor
Sujeito para o objecto
Individualismo moderno
Eufórica ideologia

…subcultura adolescente…

Entre fermentos críticos
E enzimas de integração

-Ornamentei me com a cultura cultivada
mascarei me… pois então… de guerreira
na procura do húmus humanístico-

…um corpo morto… é um corpo vivo
posto na posição da morte…

1 de Set de 2008

! conclusão clara confusão ?



termos observacionais – termos teóricos
verbo ter – posse
distinção não precisa
precisar – necessidade
t udo pode ser abandonado.
t eoria , experiência – a criança
t endências e leis ? distinção anulada
calada na ausência de cor – noite
! conclusão clara confusão ?
dever e ser – temporários
cravados no futuro… a passar…
estádio primitivo ?
consequência desastrosa? Insisto.
intuição ou experiência
formalidades
inferências
critérios críticos – “ racional”
metodologias respeitadoras da lei – brinquedos
na mão adulta
coleção de palavras de ordem.
somos todos potenciais falsificadores.
a irregularidade é alimento da regra.

indutivismo? no thank’s

11 de Ago de 2008

Vida etc. e tal

Agora e aqui
as costas na força basáltica
em frente a este mar
os pés na viva água
reconheço
que desde que me descobri,
o meu verdadeiro ,genuíno eu
nunca mais estive só.

sou complicado?

Aconselho-te, então, veres a telenovela
que passa no canal tal,
à hora etc. e tal, do dia tal e tal
onde Juninho foge com Zulmira
a melhor amiga de Isabel
casada com Juninho,
filha do Senhor Beltrão,
preso, por tráfico de influências.
Que simplicidade tão ternurenta,
neste quotidiano tal e etc.
Aguardarás ansiosa o décimo terceiro episódio,
já amanhã,
vivendo a vida de outros,
deixas-me espaço e tempo
para viver a minha.

28 de Jul de 2008

AMORTECA




Amo-te ,
não posso viver sem ti,
disse-me, enquanto uma gota
desprendia-se do seu esquerdo olho.

Uma “ lágrima de crocodilo”, pensei.
Falei-lhe de uma ida à Amorteca.

Afastei-me…

Passados dias, não muitos, vi-a,
pendurada no pescoço de um outro
“ não posso viver sem ti”.
Consegui-lhe ver uma resplandecente
euforia, acenei-lhe, nem me viu.

A certeza de qualquer organismo
vivo
é mesmo e só a sua morte.

12 de Jul de 2008

Perguntinhas




A lucidez de si mesmo pode perturbar?
O obscuro é fundamental?
Discute-se o pensamento?
O pensamentoé uma arte?
Um manual não ensina nada de novo?
O pensamento renova?
Um marginal é uma disposição psicológica ou resultará de uma situação de facto?
Existem "slipes erotizados"?
O trajecto de um Curso vai da Universidade ao Cemitério?
O Estado, as Polícias , as Leis são constrangimentos exteriores?

O ser humano é possuído pelas ideias que possui, ao ponto de querer morrer por elas?

27 de Jun de 2008

Esmeralda




Num desses dias, acordei, com a voz do meu corpo. Dizia-me ele duma dor indefinível, indecifrável , até. Era como estar na beira de um precipício sem saber , o movimento a executar: se para a frente , se para trás. A localização desta dor era no entanto visivelmente precisa: no entroncamento em cruz no ponto entre os anseios desmedidos e a ambição redutora.
Tentava eu equilibrar-me no vão estreito da razão esperando pela doutrina da transfiguração.
Naquele preciso momento , Esmeralda , a minha vizinha do décimo terceiro esquerdo , safirou-me um olhar , agravando o meu já de si precário estado emocional. Naquele dia ela não falou uma palavra sequer ( ufa!! agradeci aos ventos ); é verdade , sua voz punha-me disfuncional , todo em tremuras , meus neurónios quedavam-se em absoluta inactividade. O olhar não , esse tinha o imaculado potencial do adorno , quero dizer que ela despia-me quando me olhava , dava-me frios e calores conforme ela assim o entendesse.
Já tivera um dia parecido , num passado verão quentíssimo , quando o seio de Esmeralda e por via do aperto no elevador do prédio , se roçara no meu braço no trajecto entre o rés-do chão e o décimo terceiro andar; fervi-me esbanjando suores. Mais platónico , menos platónico estava assim o meu amor por ela . A vontade de reconstruir situações passadas para efeitos de conhecimento objectivo ultrapassava-me. Esta recordação afundou-me um pouco mais na insatisfação da rotinada repetição.
“Quebre a sua rotina , pare o seu dia-a-dia e medite bastante. Os astros sugerem que quanto mais tranquilo estiver , melhor produtividade e rendimento terá”. Rezava assim o meu horóscopo ignorando completamente o meu estado de alma. Houvera tempos em que eu tentara cumprir escrupulosamente os desígnios ditados pelo meu horóscopo. Escrupulosamente vezes sem conta repeti-me no desengano.
Já eram difíceis os mastigáveis sustentos do quotidiano , o rendilhado aluguer da casa , o dolorido comportamento cívico do trabalho, dias há , que até o respirar se cansa. Do meio humano não há grandes ajudas: filho dá murro no pai , marido mata mulher , ouve-se um fado como em música de fundo , exponenciais impostos em crescendo.
- Já leu o livro “ O Deus do Amor” ? perguntou-me a Senhora ClaraBela a dona da livraria , onde acabara de entrar para me imaginar nos títulos das obras espostas.
Saberia ela da minha devoção a Esmeralda? Teria ela lido nas entrelinhas? Esmeralda era também frequentadora da livraria.
Não era possível , eu nunca dialogara com Esmeralda , nem ali nem em nenhures , ouvira sempre os seus diálogos com outros , isso sim. Recompus-me quando a Senhora ClaraBela me recitou uma promoção comercial qualquer , um primeiro lugar de um qualquer toplivros: o livro era o número um do top de vendas , daí a sua recomendação.
Uma carga céptica envolvia-me quando entrei no elevador do meu prédio. O fecho da porta do elevador naquele momento representava o meu mundo: fechado em quatro chapas de zinco , cerca de um metro cúbico respirável e alguns manipuláveis botões. A paragem no décimo terceiro andar , trouxe a entrada de Esmeralda no cubículo, reduzidamente vestida , seu destino parecia ser uma ida à praia. O meu coração batucou violentamente na minha jugular , tive a esperança que uma qualquer ordem organizacional , criasse o processo da desordem; o universo começara também com uma desintegração , e ao desintegrar-se organizou-se. A agitação calorífica intensa provocada por Esmeralda foi fatal: o calor é agitação , remoinho , movimentos em todos os sentidos , formaram-se partículas e uniram-se umas ás outras. Nos sois que se sucederam, ardemos em chamas, até porque o elevador resolvera parar entre o oitavo e sétimo piso.
Viver da morte , morrer da vida foi o que nos aconteceu até sermos salvos pelo técnico dos elevadores.

13 de Jun de 2008

Natalidade em crise


O modo de existir de um instrumento de trabalho enquanto artefacto para ser utilizado, transporta consigo maneiras de o usar e extrair dele o máximo de rendimento que diferenciam o seu proprietário e a sua destreza em relação a um outro (ou aos filhos e filhas, por exemplo) e são estas condições concretas que deverão ser retidas mesmo quando já por evocações de um passado que a própria peça ajuda a relembrar.

Falta um modelo adequado à condição feminina?

Eis alguns dos slogans usados:
A igualdade jurídica tem de ser acompanhada de fortes medidas e práticas sociais, nomeadamente no que se refere à conciliação da vida profissional com a vida pessoal.
A qualificação das mulheres ( em número) e a relação com a realidade.
Rendimentos diferenciados para igual função ( entre homens e mulheres)
Os lugares de topo que na prática a mulher alcança.
Trabalho precário com maior incidência no género feminino.
E blá,blá,blá…

Esta precaridade resulta nisto?

Natalidade em crise. O continente velha Europa faz juz ao nome. Um Inverno demográfico. 54 milhões de europeus vivem sozinhos ou dito de outra forma dois em cada três lares não têm nenhuma criança.
O Instituto de Política Familiar considera necessário (no topo das prioridades) o desenvolvimento de políticas públicas de apoio à família.

Uma no cravo outra na ferradura. Por um lado tecem-se loas ao Feminino para mais à frente reclamar a condição “parideira”. O desenvolvimento de políticas públicas de apoio à família, ( é familiar aos meus ouvidos), vai dar à concepção.
O lado supraeconomicista desta global aldeia não se fica pelas couves, carros e comercializáveis comuns utensílios.
Dito de outra maneira não é nada , mesmo nada económico ter e criar filhos, e os “homes” salvo raríssimas excepções, não assumem o acompanhamento na educação das crianças. Preferem mais discutir as cavalagens das suas maravilhosas máquinas e botar olho nas “mulheres alheias”.

Não é mesmo verdade que nas reuniões de “ Pais “ são quase sempre as Mães a marcar presença?

6 de Jun de 2008

O Pathos , o Logos e o Ethos.

Mimado, frágil, o ser humano ocidental, exige grandes atenções em variadas formas. Encontra compensação na convivialidade tranquilizadora dos sinais em que se reconhece no outro.
A ambivalência da retórica sempre existiu. Que faz ela ? O que provoca ? Desmascara os pensamentos falsos ou é o instrumento demoníaco que os instaura ?
A opinião comum, mutável e contraditória é alimento “gordo” da retórica. Por agora, aceitemos, que ela ( a retórica ) estuda e põe a nu os mecanismos tanto das grandes fraudes como dos melhores entretenimentos.
Mas qual o fundamento e garantia desta razão provocada pelo sujeito? Reconhecemos entretanto, que a razão perdeu a sua substância anterior, resta-lhe a forma residual. A “crise da razão” oscila e não está só: oscila com ela toda a tradição herdade dos gregos.
As ciências humanas estão marcadas pela condição retórica. A hermenêutica, uma interpretação do passado, atesta-o. Mesmo a manipulação das paixões como a propaganda demonstra-a. O signo que mobiliza, faz imaginar uma acção a fazer ou não fazer, fazendo um juízo que se aceita ou se recusa. A nossa lógica não possui um rigor natural, mas construído. Pergunta-se, quem detém a “boa” concepção da retórica ?
Ressalta assim à priori que a própria retórica ao longo da história tem entre si variadas e concorrentes definições. Há uma ausência de unidade do domínio , perpetua-se a imprecisão. Por outro lado as características da retórica por vezes também se interpenetram.
Há sempre na relação retórica distâncias sociais, psicológicas, intelectuais que se manifestam por argumentos ou sedução. Podem existir outras nuances, menciono no entanto estas três bases, mais uma trilogia:

A invenção que é uma investigação.
A disposição que estrutura e coloca as ideias em ordem.
A elocução que faz passar a mensagem.

Afinal não nos interrogamos sobre o problemático: discutimos teses opostas sobre as quais uma maioria de pessoas ou de sábios com autoridade estão em desacordo, e a propósito das quais eles formam portanto um novo acordo. Parece-me, digo parece-me, que o ideal proposicional, a proposição, impõe-se excedendo o seu contrário.
Por sua vez o tempo cria alternativas, conceitos aceites e aclamados deixam de o ser com o passar do tempo, encaixe perfeito para o carácter sucessivo da realização dos opostos. Todas as noções deslizam e misturam-se e a retórica apodera-se delas. Assim a “distância” entre os seres humanos precisa de justificação e consoante a tónica que se imprima à retórica nascem ditos diferentes.
No pathos obtemos a retórica –manipulação. Se a colocarmos no logos dará uma visão lógica e argumentativa. A partir do ethos desembocamos no papel determinante do sujeito e da sua moral. Eu concluo que as respostas dependem quase sempre de uma norma.

4 de Jun de 2008

O "Joguinho" da Imitação


A relação entre Idea e Arquétipo não é perfeita. Pois ,pois, “ perfeito só o Capitão”. A arte imita ou não a Natureza? Consideremos Natureza tudo aquilo que de material ou imaterial existe que nos rodeia e em nós é ou está.
E a imitação tem vontade própria? E de escolha? Parece que a procura da verdade, para melhorá-la ou piorá-la, não é bem a procura da verdade.
Através dos tempos e desde aquele tempo em que supostamente “erámos quadrúpedes”, (de mãos e pés no chão) as formalidades são sempre diferentes, mas a essência é a mesma. Será? Dúvidas…
É que há modelos evidentes. Por exemplo, Homero para o Ulisses de Joyce, Horácio para Ricardo Reis de Pessoa. As estruturas narrativas imitadas e não reproduzidas. Fala-se de “reescrita e de “intertextualidade” mas não de imitação. O acidental esse mudou e está sempre a mudar, valha-nos isso.
Mas voltemos à arte humana relacionada ( transcendental) com o Arquétipo ou a Idea. Para além “ do Capitão “ o Arquétipo também é perfeito, logo não se dará lá muito bem com a Idea. O “problemazinho” que se apresenta será , o drama e o movimento de tudo o que nos rodeia, que não dá cópias perfeitas. Parece ou é consensual admitir que existem boas ou más imitações. “É preciso ler muito e ter ouvido muito para ser um bom orador” diz Cícero no de Oratore.
A imitação não tem que ser servil. Os bons modelos copiados e se o autor não se limitar a copiar, abre uma via, para pôr algo de seu.
A Natureza não permite que algo ou alguém seja igual; a imitação ,para o ser humano, é uma fuga aquela ordem – a diversidade absoluta.
Estamos assim perante as três mais célebres e criticas posições no campo da imitação:
As coisas tais como foram e são.
As coisas tais como as dizem e parece ser.
As coisas tais como deveriam ser.
O século de Virgílio e de Horácio foi um dos tempos em que mais se imitou, mas também o de maior originalidade.
A imitação por supostamente estar ou ser proibida, já não é uma regra, tornou-se defeito e criticável acção, logo torna-se muito mais difícil detectá-la.
Continua assim a saga da imitação. “Influenciado por” ou da “escola de” ,invólucros semânticos, admiráveis neologismos que no fundo nos dizem a mesma coisa de outrora. As palavras renovam-se. São ou não a escrita e a fala acidentes vivos no nosso percurso?
Consiste a essência da Poesia na imitação da natureza?


22 de Mai de 2008

Rêpisei

Resposta ao pedido da Rê Piza... oito desejos...


Poder existir( viver) comendo só uma vez por mês ( tipo camelo social que é o que eu sou).

Comunicar com as pessoas só com gestos toques e olhares. (Fala e escrita acabavam).

Que a Terra onde as pessoas nascem ou vivem não seja delas.( não mais lutas pela sua posse)

Fazer um estudo Antropológico no sítio onde nasci ( Kuanza Sul-Angola)

Poder estar com todo o pessoal da net ( com quem inter-ajo e nunca vi) num sítio qualquer do Mundo nem que fosse só por umas horitas.

Poder escolher a forma da minha morte. Gostaria que fosse rápida.

Que realmente e no plano Social homem e mulher estivessem em igualdade.( o aproveitamento integral de todos trará mais riqueza a todos nós).

Desejo que a Indústria Química ( trangénicos, transformações genéticas, medicamentos de accção mais que duvidosa , etc)não tome conta de nós..

Indico oito pessoas pra realizar a tarefa. Cada uma terá que indicar mais oito e assim, sucessivamente, fazendo uma enorme corrente virtual de desejos. Os nomeados são...

A Gaja , Kaferoceiro , Cha de Laranja Lima , Ricardo Rayol , Elites , Fina Flor , O Silêncio Culpado , Filipe Franco .

Xaxuaxo









29 de Abr de 2008

Exagero...



O exagero, dezgramas de haxixe , pedrado. Trintametros cúbicos, de paixão verdadeira, bebes, pedrada. Quinzeanos ,empedrado em secretaria estatal .
Digo, o exagero é um monstro.
Dezhoras de sol oblíquo , alucinogénio. Umlitro de absinthe, a alucinação.
Avisei do exagero!!!
Imagina-te! Um mundo de coisas só azul , seria uma droga de vida, azul ó dependente. Os nossos lábios unidos… eternamente…
Que seriam ? Pareceriam ? Seria ?
O exagero é um diabo , OU , um diabo de exagero.
Não liguem… falo comigo mesma, a silábica loucura, sinto-me agora mesmo.
O exagero da diversificação é a diversidade, fêmea incubadora,
a repetição ali pouco existe , aqui o REPETÍVEL é macho a abater.
Deixe-se o andrógino DIVERSO
Existir.
Mas que exagero, surdinamente , disse-se.

5 de Fev de 2008

Margarida Disse...

Margarida disse...

Talvez… só talvez… este momento em que deixamos de achar os tais mundos antigos, os prolongamentos de nós mesmos, seja a altura de podermos lidar com conceitos que, estando mais separados de nós, dialogam connosco.

E talvez a incomunicabilidade de Narciso, falando só de si para si mesmo, não seja um destino que nos espera.

Isso, claro, se resistirmos a contentar-nos, como Eco tinha de se contentar, em ser a repetição dos sons que os outros soltam. Se formos capazes de pensar por nós. Mesmo errando. Mesmo titubeando. Mesmo correndo riscos. Mesmo tendo de desobedecer aos deuses.

3 de Fev de 2008

- A CONJUNTURA -

Esgotámo nos na impossibilidade de “ conjugarmos “ os nossos verbos ? Entenda se “ conjugação “ como um esforço comum - conjugação de esforços para o bem de todos.
O aumento da canalhice é o resultado da má distribuição da renda ? Entenda se renda , versus PIB ( produto interno bruto ) ; também se ele é “bruto” não há de ter boas maneiras.
Isto a propósito do léxico português , do que se diz e escreve; enfim , as palavrinhas que todos nós usamos ( como brinquedos) era suposto ser o elo de ligação por excelência de todos nós.
Caramba ! Não se quer (extremismos) um Egas Moniz de corda ao pescoço para expiação de uma promessa não cumprida por outrem. Mas também o oposto de quem promete “coisas” e em as não cumprindo, pega eloquentememte na frase – é a conjuntura – desculpabilizando a mentira, convenhamos que é descaradamente abusivo e atentório de qualquer ser que ( ainda ) ouse pensar. Uma dúvida martiriza minha ingénua ignorância: como foi possível todos esses grandes pensadores do nosso passado não terem encontrado tão sábio conceito de seu nome , A Conjuntura.

Quer dizer, as Elites Decisórias , hoje preservam se, no uso dos governos não com a força militar, nem com forcas ou chicotes, o senso democrático não o permite. Civilizámo nos também na maneira de inibir, cortar a liberdade ao ser humano, de aparentemente com actos inocentes ( não há derrame de sangue) o acto consumado domina nos. A verdade , ou o não cumprimento das “ coisas “ metamorfosea se nos diferentes “contextos”, nos “extemporâneos”. Elaboradíssimos e científicos conceitos que hoje são, para mais logo deixar de ser e sempre apresentados com o ar mais sério deste mundo. Não há , dúvida somos uma sociedade abundantemente rica em paradigmas . Então o idoso que trabalhou toda a sua vida, e tem que agora viver só com 200 euros ( quando qualquer quartinho custa 150 a 200 euros de aluguer ) chamando se a esta situação , a reforma , posso chamá la de paradigma?
Os apaniguados papagaios destes governos, estão na linha da frente, quando qualquer um dos seus ministros se retira porque fez “ Burrada “. apressando se a tecer elogios e apelidando a vil retirada , de acto de coragem.
Enaltecimento do negativo ? da falácia ? da bem estruturada e repetida mentira que se torna irrevogavelmente verdade ? ah pois, é um paradigma. O futuro que se avizinha será o de um pai ensinar, aconselhando seu filho dizendo lhe:
- Conjuntura te, aprende os caminhos dos extemporâneos, porque se aproxima o Tempo Paradigmático!!!


26 de Jan de 2008

Cratera no Discurso


A contradição provocara lhe uma cratera no discurso, sob um impulso magnânimo , o Ouvinte, não ouviu.
Vindos das camadas profundas do real, desconhecido e conhecido tocam se, num , quase frenesim, quase eróticos; irrompe a divisão escondida.
A Realidade enriquece se mostrando porém a sua essência, não há erro nem falso, anuncia se o Verdadeiro, redundando , o verdadeiro da verdade.

Ah, Ah, Ah, Ah, ... só para descomprimir , a mim.

Antinomias não são fracassos . Lacunas ?
Serão alegrias no meio dos tristonhos desconhecidos e incertos ?
O Ouvinte lembrou se - nenhum líder numa sociedade-bando pode subjugar os que o aceitam à sua vontade e interesses pessoais, também não têm nenhuma placa a dizer " Propriedade Privada".

- Extemporâneo , meu caro , isso foi à dez mil anos . Doutourou lhe ( dizendo) o transformado em cratera no discurso.
Insistentes , sonhos, persistentes ,

Um sonhador!

25 de Jan de 2008

Paradigmas Matrizes


(tu) SUJEITO - OBJECTO (eu)
(do diabo) ALMA - CORPO (em decomposição)
(vidente) ESPÍRITO - MATÉRIA (fecal)
(do mal) QUALIDADE - QUANTIDADE (económica)
(princípio) FINALIDADE - CAUSALIDADE ( temporal)
(desamor) SENTIMENTO - RAZÃO (a que nos assiste)
(prisão biológica) LIBERDADE - DETERMINISMO ( fluxo menstrual)
(miserável) EXISTÊNCIA - ESSÊNCIA ( perfume)
Atentai vos

A não obediência a estas disjunções será clandestina , marginal , desviante.


A NOOSFERA tem também prisões ; correcional , preventiva, maior celular, de ventre, de cabelos, cárceres , calabouços , clausuras , circuitos fechados , presídios , cadeados...

Pergunta:

Quem são os guardas e defensores das ideias ???
Alguém qui souber mi arresponda!






17 de Jan de 2008

CONTRATODOS / PROTODOS


Cantiga de embalar


Senti numa das minhas inúmeras pontas,

que são meus interiores , um esgar de imcompreensão ao meu dito:
Lésbico machismo.
É crítica , ao conceito não a nós ,carnais seres.
Dirás a mim neste meu direito pavilhão auricular, em tom baixo ,
o outro
( o esquerdo auricular ) nada deve saber...


Na volta revolta do feminismo, fêmeas houveram querer ser o másculo conceito.
Se táva errado de um lado ( o deles)
do outro ( o nosso ) assim se manteria / manteve.
Escuta, ouve me ! te digo : meu macho corpo
alberga uma substância, às vezes de Alma assim chamada.
Ela é feminina, ambivalente , neutral ,
bastas vezes raivosamente macha / fêmeo.

Quero tornar me tua irmã,
gémeo " Causa ".
Deixa chegar me à tua proximidade.
Guia a criança vestida de adulto,
que se perde muita vez
dentro de mim.



xxxxxxx

15 de Jan de 2008

Loucura (L) ou Cura


Zeus atribuira me uma medida apropriada, e um certo limite.
O Governo do Mundo afinca me nos queixos uma precisa e mensurável desarmonia.
Irrompe em mim o caos entediante.
Devo , então ser bela ou ser justa?

A facínora famélica dos bem comportamentalizados rotula me em ignorância célere:
- És uma inadaptada , tás sempre na lua, tem juízo.
Respondo:
Vocês estão impróprios para consumo!
A irrupção do caos na bela harmonia pode surgir.
- Diz –me :
Porque se tornou para ti a antítese tão incómoda?

Aconselho te ( pondo minha mão afectuosa em ti):
- Escuta o ritmo da música, ela remete para o fluir perene e desarmónico, porque sem limites, das coisas.
Ia falar te do “ nascimento da tragédia”…
Do lado noturno do ameno céu ático…
Da Apolínia beleza…

Não sei, não .
Não ouves. Sofres de miopia ou de estigmatismo cognitivo?
Converges sempre para um ponto e ficas sem saber da sabedoria da dor.
Enfim vegetas por aí muito senhor do teu nariz. Aproximas te vertiginoso da transparência. Uma Beleza jubilosa e perigosa representa te como posse e loucura.
Estás quase instalado na clínica psiquiátrica da vida.
Sairás curado.

12 de Jan de 2008

Quente de Quê ?


Um,
[ feed back] distinguiu o átomo da estrutura fechada,
ou aberta,
uma resposta mais simples, uma observação matemática
aos poderes do amor,
com argumentos teológicos.
Amas me ?

Seja bondosa , atilada , bela , cometa erros.
Que tal um dia de Inverno ?

[ Métricamente ] te sorverei em [ Kilómetros ] de dor .
Tenho tempo.
[ A Regulação ] exige variedade, existem muitas posições,
na fauna dos Amantes … um [ Diagrama ] exporia claramente
a valiosa análise de nós.
A consequência da Existência do Universo classificador,
orienta nos para a substância , para as coisas.
O conceito Abstrato é um substantivo em gramática.

Estás quente , ou cedes me calor ?
Sinto te múltiplos critérios.
A tua pele de dedos afagam me a pelada alma,
o calor de teus lábios é real.
Fala se de sol quente mas não de quente.
Se disser quente , perguntas me,
Quente o quê?



3 de Jan de 2008

Terceiro dia do ano


No meio da estrada , afora, circulo me em animal metamorfose metal, umas vezes paralamas, outras escape, por vezes limpo parabriso me. Nesta singularidade normal e inteligível, outros vultos circulam por aqui, só reconheço o retrato dela, um dia falei-lhe do espaço desintegrado, ela aceitou e disse compreender. Confessou me sua morte interior, vinha dum doloroso desengano, senti um ponto de contacto, quando distraidamente me afagou os faróis de nevoeiro. Tinha um nome , mas não o queria usar mais, preferia navegar na jangada sem leme , olhar as linguagens desfilando nos seus olhos, repetir sempre o uso do primeiro vestido de rendas e tafetá estreado nos seus treze anos. Com os anos as cores desbotaram mas as rendas ficaram lembrando o rendilhado de sua existência. E era assim que se apresentava ela , hoje , terceiro dia do ano: um caos social, uma amálgama de dores , até a nostalgia a visitava , deixara de acreditar no que fosse. Aquilo, vê la assim, fez me sentir a caixa negra de uma qualquer intenção, que não sendo minha , ocupava o meu espaço. Meu chassi retorcia se, desacelarei e sem travar coloquei me do lado dela. Travamos conhecimento em plena via rápida e em andamento lento diagnosticamo nos várias insuficiências, pusemos nos de acordo.
Seria uma via de sentido único e profundo, numa viagem para lá, sempre para lá… no sentido inverso da noite e do esquecimento.
Foi assim que conheci o meu grande amor.

30 de Dez de 2007

Um certo Natal

Definitivamente o som da rua empalidecia , a meu lado surgia do fundo,
UM FUNDO: aquela mulher desprendia se da sua universalidade.
Três crias fizera nascer, no estômago vazio, socos encaixara do homem que a desamava,
vezes,
inúmeras,
rebentara lhe um fio de sangue num dos seus múltiplos cantos, sarava se bebendo dele. Guardava um sorriso para as crias famintas.
Ele o seu homem, alheava se no afastamento, fechado na cruel visão opaca.
Coisas de homens.
Numa centésima vez , o punho, vinha em direcção a ela, renovou forças, ferrando os dentes na carne agressora. Algo sorriu dentro dela, perante o gosto sanguíneo A dor nos olhos dele. Qual fera saltou lhe à jugular, sedenta de mais…
Tomou lhe a vida, tornou o inexistente.
Os olhos das suas crias não olhariam o uso da máscula cruel opressão da linhagem.

Acoitou se em ninho enrolada com suas crias,

seu instinto, atento, mão de mãe madura,
cumprira desígnios.

...muitos amanhãs desconhecidos, os esperavam...
...um certo Natal…

19 de Dez de 2007

os adultos


…sim,
por vezes, bastas,
choro, um choro silencioso,
de lágrima lacinante
a rolar
não consigo olhar te “irmão” Caim,
maria “mãe” , sem leite me deixaste
do e de um “pai” não tenho memória,
tropeço me no chão,
deitado olhos no infinito do espaço
entre mim e a longínqua estrela
choro, mais…
lavo me deste aperto
a amarga lágrima- salinidade aguda-
rola por entre meus lábios,
certifica me a amargura, a mim criança,
o quanto só estou perante
os adultos…

18 de Dez de 2007

Mundo Cão

Admirável Mundo Cão. O animal que comete a agressão. Os pais que ocultam.
Á minha volta as pessoas consideram que isto não é nada. Recorrem sempre à comparação para mitigar as almas e as culpas. Pois se numa qualquer outra parte do Mundo tem mais casos desses, lá é pior do que cá, concluem que afinal até não estamos mal. Realmente comparados com os seres das cavernas estamos muito melhores...

17 de Dez de 2007

SEXUAL AGRESSOR


Um bar , uma lágrima contida.
Medo?
Um bebé mutante, passeia se,
(luscofusco é a luz)
Em mim.

As sombras , porque existem.
Vocês sabem, o espaço de luz pura
demora,
daí a lágrima contida.

Vómito precedendo o não ingerido.
Medo?
Estou incurável , canceroso o lugar do sonho.

Criança , quatro anos, violentada.
No acto do sexual agressor,
na conivência dos pais, a moral
monstro que pavoneia se.
Não se diz nada
A vergonha supera a denúncia.

Medo?
Da felicidade silenciosa?
Real social?

Melhor deixar rolar a lágrima…

11 de Dez de 2007

HISTÓRIA DA ANTIGUIDADE



Considerando aqui a luz como primórdio das coisas, deus é identificado como luz, o fogo que brilha como uma ideia, corrente luminosa que corre o universo, percebemos a antecipação ao ser humano. Não é a luz que conceitua o ser humano, mas ela é a fonte do conceito elaborado, significando que já cá estava antes do humano.

Existe um fundo comum entre as religiões sendo o mais importante ou pelo menos aquele que se exerce mais visível : o ser humano como ser místico que é está sempre em interação constante com os fenómenos que sempre lhe escapam, não os dominando portanto. Como esses fenómenos estão sempre na esfera do intangível, a sujeição a algo de transcendente cativa e fá lo aceitar sempre toda a premissa que aponte um arco íris de felicidade ( vulgo paraísos, nirvanas e afins).
Assim a religião que antes de ser um conceito, é o ser humano e socorrendo- da teologia, ritualiza gestos de habituação, cristaliza crenças, para optimizar a sujeição do ser humano manipulando. A resposta final das religiões todas, está sempre para lá numa outra existência noutros espaços.
A tirania , entendida como verdade absoluta, impõe- se “ a minha verdade tem que ser a vossa” se não sereis castigados com o inferno , o sofrimento.
A arquitectura que é uma invenção do ser humano possui em si o gérmen puro do condicionamento ajuda a cimentar os conceitos religiosos, construindo grandes templos mesquitas e basílicas. Estas construções são feitas pelas mãos dos habitantes terrenos mas depois de acabadas tornam-se as “casas dos deuses”, lembrando que existem paraísos.
Contra os desvios e ao longo dos tempos criam se mecanismos de persuasão: a feitiçaria, a inquisição, os medos criados invocando a morte e os seus rituais. Impondo a força como demonstração e representação divina.
Sarcófagos, túmulos, jazigas são sempre cemitérios de mortos em última análise.

A manipulação dos seres humanos é o fundo comum das religiões.

8 de Dez de 2007

Degraus



Respirava se uma incerteza
Naqueles campos verdejantes.

Como num país completamente
Desconhecido no seio do real.

O problema do e e do ou
Quem explicará a essência
Das subtis complexidades.

E o logotipo do modelo orbital do átomo
Era extraordinário, parecia-me suspeito
Enganoso , retirado foi.

Reconheço e , ou o espírito tem degraus.